Igrejinha do Pobre Diabo

Igrejinha do Pobre Diabo

Ela sempre foi assim, simples e bonita. E branca, com muita alegria. Primeiro, estava sozinha, poucos vizinhos, com umas casinhas na parte de trás. Ninguém ligava pro nome da rua onde ela se encontrava, pois não havia residências para dar endereço.

Na frente, o lavrado. Grande mesmo. A sua praça, e, passando os trilhos do bonde, o campo do Floriano, onde a então meninada da Cachoeirinha batia bola. Famosa pelo seu arraial, que ia desde a véspera de Santo Antônio, seu santo padroeiro, até o dia de São Pedro. Pegando o mês de junho quase todinho.

Tem uma história e uma estória. Onde a realidade se confunde com a imaginação. Hoje quase não tem espaço. Lá, onde foi o campo, o Hospital Militar. Onde faziam o arraial, casas da Vila Militar. Ao lado muitas residências. Na frente passam ônibus que trafegam pela rua Borba. Ainda deve ter aquele Menino Deus, que balançava a cabeça, agradecido, quando recebia um óbulo.

Até que todos a conhecem como Igrejinha do Pobre Diabo, esquecendo o Padroeiro Santo Antônio. Por aí se vê que o Diabo não é feio como se pinta.

Coluna A Cidade em Foto do Jornal A Gazeta, 27 de dezembro de 1963.