Reflexões sobre a eleição

Em 31 de outubro de 2018 às 10:32, por Gilson Gil.

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Depois de sabermos os resultados, é mais fácil refletirmos. Certos ensinamentos ficaram desta eleição. Cada pleito tem sua história e a deste ainda pode está apenas começando a ser analisada. Para facilitar a leitura, farei na forma de aforismas algumas de minhas reflexões:

• Ter tempo na TV, nas inserções ou no horário eleitoral, não é garantia de vitória ou bom desempenho. O exemplo de Alkmin foi muito interessante. Bolsonaro teve uma inserção a cada dois dias e o derrotou fragorosamente no primeiro turno.

• É possível vencer uma eleição quase sem sair de cada, apenas enviando vídeos pelo youtube, como Bolsonaro. As redes sociais, pagas ou espontâneas, colocaram as eleições me outro patamar. Mudaram o paradigma do que seja fazer propaganda eleitoral.

• Certas forças subterrâneas, como a tradição, a sexualidade, a família, a moralidade, o antipetismo, o kitgay, o militarismo, a busca da ordem e o machismo, que há alguns anos nenhum marqueteiro levaria a sério mostraram vitalidade e fora eleitoral. Nas próximas disputas, certamente os publicitários e estrategistas terão mais cuidado com tais questões.

• Nem sempre o eleitor vota por grandes temas, como emprego, renda, meio ambiente, desenvolvimento e educação. Outros problemas de âmbito mais privado ou puramente emocional podem surgir e atropelar as questões badaladas. Os candidatos devem ficar preparados.

• O eleitorado votou com raiva, com ceticismo e sem preocupação maior com o futuro. Ligou o “dane-se” e quer ver aonde tudo isso vai dar. Não se preocupou com o futuro, a experiência ou a gestão. Dançou à beira do abismo, como diria o filósofo Nietzsche, e gostou da sensação. As escolhas por Witzel, Barneis, Zema e Wilson, entre outros, mostrou isso.

• Pela primeira vez, um presidente venceu sem, nas pesquisas, liderar nas classes D e E. Isso foi inédito. É um dado a ser considerado em posteriores campanhas.

• É possível vencer radicalizando. O velho mito eleitoral brasileiro de que só se vence “indo para o centro” acabou. Os dois adversários do segundo turno cada vez mais se radicalizaram e nada aconteceu. Ou seja, nem sempre o centro é a saída eleitoral do Brasil.

Cada eleição tem sua história, como afirmei. Veremos aonde esta irá chegar. Campanha é uma coisa. Governar é outra. As eleições municipais estão logo ali, na esquina. O desemprego permanece, apesar dos gritos contra o kitgay ou os louvores à diversidade. Enfim, é hora de checar aonde o “novo” nos levará e o que significa tal novidade, de fato.

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.