Redação do Jornal – Contando histórias (2)

Em 4 de maio de 2016 às 11:00, por Cláudio Barboza.

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A primeira vez que entrei na redação do jornal A Crítica aconteceu no final dos anos 70, atendendo um anúncio mais ou menos assim: se você gosta de esportes e de escrever, existe vaga para repórter de esportes amador. Compareça à rua Lobo D’Almada no horário comercial. Eu estudava no Colégio Dom Bosco, jogava basquete no juvenil do Rio Negro e gostava de escrever. Tinha 17 anos.

A redação de A Crítica ficava a rua Lobo D’almada. No térreo ficava a administração e o setor de composição, além de uma cantina que servia todos os dias o melhor mingau de banana do planeta. E de graça. No segundo andar ficava a redação, gabinete do “CEO” Umberto Calderaro, sala da dona Rita. No terceiro moravam Calderaro e família.

Cheguei à redação no horário da tarde. Umas 30 pessoas estavam no local. O barulho das máquinas era intenso e havia muita fumaça no ar. Fumava-se muito naqueles tempos. Era um bom espaço que tinha um teto rebaixado e mesas de metal. Dois telex barulhentos passavam praticamente 24 horas despejando notícias nacionais e internacionais. Um ar condicionado fazia a refrigeração.

Quem me atendeu foi o Sebastião Assante que era repórter de esportes profissional. Ele me orientou a procurar o ‘CEO’ Belmiro Vianez, amigo pessoal do Calderaro, empresário, mas também o editor oficial de esportes do jornal, embora quem tocasse no dia a dia era mesmo o Messias Sampaio. Ganhei a vaga, um salário mínimo e a primeira carteira de Jornalista, assinada por Umberto Calderaro Filho, que guardo até hoje.

Passei a fazer parte daquela redação que era comandada por um jornalista do Rio de Janeiro, chamado Caldas, correspondente do Jornal do Brasil que havia retornado do Chile e estava em Manaus. Dessa redação faziam parte, entre outros, Mario Monteiro, Sebastião Assante, Manoel Lima, Antônio Menezes, Luiz Vasconcelos, o poderoso diagramador José Veríssimo – de quem iremos falar mais à frente -, Messias Sampaio, Leopoldo Sampaio, Mário Jorge, Ajuricaba Almeida, Flávio Assen, Leal da Cunha, Agnelo Oliveira, Eduardo Pau de Barraca, entre outros.

Não havia piso salarial e nem jornada de cinco ou sete horas. A maior parte da redação entrava 12 e só saia entre 19 e 22 horas. Piso salarial e jornada de cinco horas começaram a existir com a criação do MFS (Movimento Fortalecimento Sindical) que ocorreu no início dos anos 1980, quando o sindicato funcionava em uma sala de um prédio localizado à rua Barroso, na sede do Sindicato Patronal da Borracha. Era uma contradição: um sindicato patronal que cedia uma sala para um sindicato dos trabalhadores. Mas assim funcionou até que o Sindicato dos Jornalistas mudou para a Praça Santos Dumont, onde está até hoje. O caderno de Esportes tinha oito páginas e nessa época começaram os “viradões”, tínhamos que fechar a edição de domingo na noite de sexta-feira, mas esta é uma história mais para a frente…

 

Articulista Cláudio Barboza 

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sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.