PESQUISAS, ELEIÇÕES E PREFEITURA

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As pesquisas eleitorais começam a pipocar. Melhor ainda que elas já formam séries e podemos ver movimentos históricos concretos. Um dos dados mais recentes é a diminuição das expectativas em relação ao “novo”. Há um crescimento consistente da valorização da experiência na gestão pública. É o momento em que figurinhas carimbadas da política local ressurgem nas pesquisas. Nomes que eram considerados “aposentados”, agora aparecem como “vivos” e atuantes.

É bom refletir um pouco: houve uma “onda” em 2018 que trouxe ao primeiro plano da política pessoas sem passado, sem ideias ou projetos. Pelo contrário, isso era algo positivo. Quanto menos passado ou projetos tivesse, melhor. Foi um fenômeno nacional que o Amazonas refletiu com muita propriedade. Passada essa ressaca da novidade, o eleitor está ajustando o foco. Muitas coisas não podem ser mudadas do dia para a noite. A gestão pública possui regras e prazos muito peculiares. O risco do gestor ser considerado “criminoso” ou “corrupto” é muito grande, caso erre em detalhes processuais, que o homem comum poderia considerar irrelevantes, mas que fazem todo o sentido na administração pública. Por outro lado, há setores que expressam um cansaço com tais políticos “carimbados”, através da rejeição enorme que eles possuem. As denúncias de corrupção, os erros seguidos através do tempo e uma certa fadiga do eleitorado com práticas antigas de gestão acabam pesando e atraindo rejeições neste momento.

Também é válido notar que certos nomes se firmaram. Há parcelas do eleitorado que já apontam para uma cristalização de ideias e percepções. Há tendências que mostram haver um encaminhamento na mente de segmentos. O eleitor se guia por interesses concretos, visões de mundo e histórias que são construídas pela sociedade e atravessam a população nas mais variadas direções. São vetores de opiniões que se cruzam nas direções mais variadas – violência urbana, saúde com problemas, merenda escolar, preservar o meio ambiente, valorizar a cultura popular etc. Às vezes, o mesmo eleitor compartilha diferentes opiniões. Sobre meio ambiente pensa de uma forma, mas pode ter ideias cristalizadas sobre violência e educação. Há camadas de opiniões na mente do eleitor que se entrecruzam e oscilam, conforme os fatos vão se desenrolando.

Estamos vendo demissões de secretários que eram potenciais candidatos, assistindo parlamentares fazerem discursos direcionados aos segmentos mais específicos da população e as redes sociais fervilharem de “campanhas disfarçadas”, com políticos aparecendo em bairros, eventos e reuniões, sempre mostrando que são potenciais candidatos à prefeitura.

Enfim, a campanha está se lançando. Essa pré-campanha, cujas pesquisas são parte inevitável – tanto como análise e como parte integrante do processo – começa a tomar forma. É ver até que ponto os “antigos” irão realmente se lançar candidatos e até aonde vão os “novos” nomes, que, aliás, podem nem ser tão novos. É pensar que o próprio conceito de “novo” precisa ser relativizado. Há novidades que não são tão novas, que já existem há alguns anos. O eleitor começa a perceber esses movimentos e usar seus filtros. É aguardar e conferir que rumos a luta pela prefeitura começa a adquirir

 

Articulista Gilson Gil

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