Paulo, do verbo ao infinito!

Em 3 de outubro de 2019 às 10:20, por Jorge Alvaro.

compartilhe

Ouvindo uma música maestrada por Herbert von Karajan, presto minha homenagem a um amigo hoje inexistente, Paulo Figueiredo.

Já integrado à história da nossa terra amazônica, sempre foi um homem de muitas palavras. Ternas? – às vezes. Combativas? – sempre. Discutíveis ou indiscutíveis? – também. Palavras ditas ou escritas. Viveu sempre com elas e para elas. E bem! Cronista excepcional, principalmente quando se dedicava à cidade amada, Manaus, ou à cidade apaixonada, Rio de Janeiro.

Urbano, embora tentasse sonhar em ser um homem do campo, com folhas, flores e muita água da imensa planície amazônica, claro. Descrevia essas cidades como se arquiteto delas tivesse sido. Guardava as memórias de ambas num cofre sentimental que somente ele sabia o segredo. Memórias dos paços, das praças, dos monumentos, jardins, becos, ruas e avenidas. Capaz de nos fazer lembrar daquilo que nunca havíamos visto. Pasmos, ficávamos a ouvir sua verve. Quando descambava para a poesia, desfilava Augusto dos Anjos (“…meus sonhos tem catedrais imensas…”) ou Manuel Bandeira (“tosse, hemoptise, suores noturnos…”).

Qualquer interrupção nesses devaneios sublimes seria motivo para uma reação sarcástica, beirando à ofensa verbal, mas carinhosa. Fim. Esse amigo não mais existe. Resolveu partir. Deixando eterno lastro de poesia e verbo, que alguém um dia resolverá seguir. Adeus, meu amigo Paulo. Volto a ouvir música. Se fosse para homenageá-lo seria Gustav Mahler, a 5ª. Mas, para lhe contrariar, como eu sempre fazia, que tal um Mozart, de estirpe?

 

Descubra os principais fatos acontecidos no ano de 1969 ⬇

Comentários:

sobre o autor

Articulista-Jorge-AlvaroGinasiano do Colégio Estadual, de 1969 a 1975, tímido para ser líder, somente em 1996 presidiu a associação dos juízes trabalhistas da Região, por dois anos. De Manaus, onde pretende morrer, ouve música e assiste filmes, indiscriminadamente. Mais leitor que escritor, afinal ser o segundo é para poucos. Aceita desafios.