O que esperar?

Em 31 de agosto de 2016 às 08:00, por Gilson Gil.

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O que esperar? – O Tempo de eleição é também um tempo de esperança. Para mim, hoje, não importam os partidos ou os nomes. Não quero nem saber das brigas, alianças ou rupturas que se insinuam pelos jornais e redes sociais. Prefiro pensar em quais questões os candidatos ao Executivo e ao Legislativo municipal irão priorizar, quando pensarem sobre Manaus.

Primeiramente, creio que é um momento adequado para se pensar o que é Manaus e o que se espera dela. Planejar por planejar não conduz a lugar algum. É comum falarem em “porta da Amazônia” ou “cidade que nos encanta”, entre outras frases e slogans. Porém, o que esperar de Manaus? O que desejamos dela? O que pretendemos que ela seja? Qualquer planejamento (palavra perigosa e encantadora) que se realize terá de levar tais considerações valorativas, políticas e subjetivas em conta. Desejamos que seja uma cidade industrial (uma Detroit da floresta?!)? Uma cidade da natureza, com ênfase na preservação ambiental? Uma cidade turística, preparada para receber milhares de visitantes por mês? Uma cidade histórica, com seu centro e principais bairros preservados e revitalizados? Uma cidade de praia e lazer, com inúmeras opções para todos os habitantes e turistas? Enfim, qual o modelo de cidade que pretendemos para Manaus? Penso ser esta a pregunta primeira, aquela que todas as forças políticas precisam responder, antes de elaborarem mirabolantes projetos de governo.

A própria educação e as políticas urbanas precisarão se basear nessas respostas. Manaus cresce sem rumo, sem uma reflexão sobre seu papel na federação ou na Amazônia. Vive por viver, meio que pela inércia. Certamente que as pessoas comuns precisam sobreviver e levam suas vidas com dignidade e honra. Porém, penso que os postulantes a líderes regionais devem subir um degrau na escada e refletir sobre questões mais profundas.

É sempre bom pensarmos qual o sentido do Distrito Industrial. Ele deve ser eternizado? Manaus é isso – uma cidade industrial? Será que há opções viáveis? E em que prazo, caso elas existam? São temas que precisam aflorar com maior visibilidade. Logicamente que uma campanha precisa debater temas como emprego, postos de saúde e transporte coletivo. Contudo, um passo além precisa ser dado. Planejar quantas creches ou quantas paradas de ônibus haverá em um bairro é algo técnico e existem pessoas com saber apropriado a isso nas inúmeras secretarias. O que espero de um debate político são rumos, valores, perspectivas e utopias.

É hora de irmos além e refletirmos sobre nossas bases, nosso solo e nossos anseios. O que esperar de Manaus? Eis a questão.

Articulista Gilson Gil

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.