O QUE É A NOVIDADE?

Em 22 de fevereiro de 2019 às 09:00, por Gilson Gil.

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O QUE É A NOVIDADE? O eleitor amazonense apostou no “novo” em 2018. Decidiu votar, em sua maioria, em um candidato que não possuía um passado na política e que contrariava todas as previsões dos analistas. Diversos fatores contribuíram para essa situação, inclusive o cenário nacional, em que a luta contra a corrupção da “velha política” foi um tema extremamente influente na decisão do voto.

Quase dois meses depois de tomar posse, o novo governador enfrenta impasses previsíveis e alguns outros que podem soar como novidade. A saúde explodiu e se tornou o problema predominante na mídia. Porém, a segurança continua tão “insegura” como antes, as compras sem licitação ocorrem ainda e a responsabilidade fiscal continua nos limites, como antes, entre outros problemas que surgem diariamente.

Uma reforma administrativa foi anunciada pelo governador na mensagem oficial. Porém, já estamos no segundo mês de governo e os secretários já começaram os planejamentos e a gerir suas pastas. A pergunta que fica é: quem vai ser cortado, fundido, anexado ou extinto agora?

Uma coisa parece clara: o grupo atual foi eleito sem planos e fez uma transição pouco esclarecedora. Os meses da transição não resolveram questões e nem aclararam os dilemas. A surpresa – como o tão propagado rombo – ao tomar posse e verificar a real situação dos cofres estaduais parece não acabar. O governo não propõe medidas, não reage e apenas se queixa e se deixa levar pelas notícias, evitando proposições diretas e incisivas.

Parece que o governo deseja manter a estrutura recebida, mantendo secretarias, pessoal e programas que já vinham sendo executados. Contudo, os limites orçamentários legais estouraram e as queixas dos órgãos de fiscalização começam a surgir.  O governo anuncia que em cem dias irá mostrar resultados e propostas, ou seja, três meses e meio depois de tomar posse. Esse timing parece estranho para quem venceu em outubro de 2018. Serão quase sete meses desde a vitória até a divulgação de projetos para o Amazonas.

Enfim, é hora de o governo reagir e propor medidas efetivas. O desemprego continua alto aqui; maior do que a média nacional, pelo perfil de nossa economia; a tal reforma administrativa é um mistério (quem será extinto?); a economia continua ao sabor da Zona Franca; a saúde, a segurança e a educação emperradas e o governo estourando os limites da LRF, entre outros impasses de menor quilate. Manter a estrutura atual, evitando inovar na resolução dos dilemas (demitir pessoas, enxugar órgãos, revisar contratos, rever folhas salariais, fazer concursos em determinadas áreas, por exemplo), deixa a impressão de que tudo está sendo levado como antigamente. Ser “novo” significa romper com esse estilo sinuoso, clientelista e irresponsável de lidar com as contas públicas, que tanto sucesso fez na história estadual. Ser “novo” pode significar ser impopular em algum momento (de preferência, no início, quando o capital político do eleito é maior) , mas sinalizando à população que ela terá benefícios mais adiante. Sem essa coragem propositiva, até mesmo “antipática”, eu diria, teremos mais do mesmo, como se fala na linguagem cotidiana. É aguardar e torcer. Ainda há tempo.

 

Articulista Gilson Gil 

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.