Muito prazer, Exupéry. Mas pode chamar de Zé Perri

Em 28 de setembro de 2018 às 08:50, por Jeferson Garrafa Brasil.

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Chegar numa cidade qualquer da França, Lyon, por exemplo, dobrar uma esquina e esbarrar numa placa de rua com o nome de Petit Prince, provavelmente não espante ninguém. Mas o que você acha de bater perna na avenida Pequeno Príncipe, no Campeche, um vilarejo brasileiro na beira do mar da ilha de Santa Catarina? Se você ficou tão intrigado e curioso quanto eu, peça uma cervejinha – ou dois cafés, se você preferir – e vamos nos surpreender sobre o porquê desse belo e agradável lugar (prometo voltar) ter sua principal avenida com esse nome.

Muito prazer, Exupéry. Mas pode chamar de Zé Perri Durango Duarte
Muito prazer, Exupéry. Mas pode chamar de Zé Perri Durango Duarte
Muito prazer, Exupéry. Mas pode chamar de Zé Perri Durango Duarte

Essa, a maioria das pessoas mata fácil: o francês Antoine de Saint-Exupéry escreveu e ilustrou  o livro O Pequeno Príncipe. Ponto. O que talvez não lembrem, é que ele também era aviador. E, é bastante provável, não saibam que lá pelos anos 1920 foi piloto da empresa aérea francesa Aéropostale (raiz da atual Air France) cobrindo a rota Paris – Buenos Aires. Chegou inclusive a morar por um tempo, creia-me, na capital dos hermanos.

Essa rota tinha uma escala técnica no Campeche, com os aviões pousando numa pista, hoje desativada, e que foi o primeiro aeroporto internacional do sul do Brasil. O alojamento dos pilotos também ainda está por lá, mas igualmente desativado.

Mas você, entre um gole de cerveja ou uma xícara de café, pode, com razão, questionar: “Peraí, meu! Mas isso é motivo suficiente pro cara ganhar essa baita homenagem!?“ Calma que a coisa vai  além. Nessas paradas técnicas, Saint-Exupéry começa a interagir fortemente com a comunidade. Integrou-se a tal ponto com os moradores do local, que, devaneio meu, entre caipirinhas, moquecas e risadas, acabou virando, simplesmente, o Zé Perrí, le très ami. O que, convenhamos, trouxe lá suas vantagens, pois facilitou a comunicação e incrementou a intimidade – Entretanto não encontrei evidência de que ele cantalorou a Marselhesa no ouvido de alguma açoriana mais animada.

Muito prazer, Exupéry. Mas pode chamar de Zé Perri Durango Duarte

Por isso, não estranhe se ao visitar o Campeche, você se hospedar numa pousada Zeperri, ir às compras num armazém Zé Perri e – não me aconteceu, mas acho possível – um simpático cãozinho com Ze Perri gravado na coleira latir em sua direção.

O Pequeno Príncipe foi lançado, em Nova York, em 1943, mas seu autor não viveu o suficiente pra desfrutar o sucesso de sua obra e, muito menos, receber essa prova de carinho do povo do Campeche. Desapareceu com seu avião, sem jamais ter sido encontrado, no mar Mediterrâneo, pouco mais de um mês após completar 44 anos.   

E por que, no início do texto, citei a cidade de Lyon como exemplo? Porque foi lá, no verão de 1900, que Exupéry/Zé Perri veio à luz, ao mundo e, por que não, ao Campeche.

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sobre o autor

Articulista-Jeferson-BrasilFoi baterista, segundo ele, do sofrível conjunto musical “Os Paqueras”. Jogou basquete, futebol e tênis de quadra. Admite, orgulhosamente, que seus dois irmãos jogavam muito mais. Sua vingança é hoje ser corredor de rua, com sonho de virar maratonista. É cronista bissexto.