Manoel Lima – Contando histórias (7)

Em 22 de novembro de 2016 às 08:00, por Cláudio Barboza.

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Considero que Manoel Lima foi um dos melhores repórteres do Amazonas de todos os tempos. Jeito inquieto, olhar firme e capaz até de entrar em discussão com o entrevistado. Quebrava regras do jornalismo, mas conquistava boas reportagens. Esse era o estilo de Manoel Lima, que durante muitos anos foi correspondente do jornal O Estado de São Paulo, em Manaus, além de editor de Cidade de A Crítica. Depois resolveu ficar só no Estadão. Foi Secretário de Comunicação no segundo governo de Gilberto Mestrinho e atualmente mora em Brasília.

Manoel Lima era referência na imprensa local. Era do tipo que sentia o cheiro do furo e corria atrás da informação. Olhava no olho do entrevistado, fosse quem fosse: do governador ao empresário, Manoel não se intimidava. Em determinada ocasião foi entrevistar Paulo Maluf – nessa época ele já havia saído de A Crítica e era exclusivo do Estado de São Paulo – que fazia campanha nacional como candidato a presidente.

Era a primeira das várias tentativas de Maluf chegar ao Planalto. Durante a entrevista, Manoel não aliviou. Foi um Deus nos acuda. A cada pergunta Manoel despejava citações sobre o envolvimento de Maluf com corrupção. O clima foi ficando tenso, até que Maluf encerrou abruptamente a entrevista e Manoel deixou calmamente o local para produzir o material obtido.

 

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Contando história (7) – A redação de A Crítica havia mudado. Saiu da parte da frente do prédio que dava para a rua Lobo D’Almada e foi transferida para o “meio” do prédio, ou seja, na entrada ficaram departamentos administrativos e, lá no fundão, a redação. O prédio tinha frente para a rua Lobo D’Almada e ia até a rua Joaquim Sarmento, onde anos depois seria feita uma redação bem maior, que possibilitou mudanças significativas na produção do jornal e que vamos lembrar mais à frente.

Para chegar ao apartamento onde morava dona Maria Calderaro – sua mãe – que morava na outra extremidade do prédio, na parte da rua Joaquim Sarmento, “seo” Umberto Calderaro passava por dentro dessa redação.

Toda as vezes que Calderaro passava na redação, a impressão que tenho até hoje é que o tempo parava. Dava até pra ouvir o ritmo da respiração dos colegas. Era uma sensação de admiração, um certo receio, mas de um respeito que ia dos mais jovens, como eu, aos mais antigos, como Leal da Cunha, Messias Sampaio, Gabriel Andrade, etc.

Articulista Cláudio Barboza

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sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.