Manaus é a Veneza brasileira

Em 27 de maio de 2016 às 08:00, por Lúcio Menezes.

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Recife é a Veneza brasileira”. É não.

Sabe quantas Pontes tem na capital de Pernambuco?  Oito. Boa Vista, Maurício de Nassau, Buarque de Macedo, Duarte Coelho, 12 de Setembro, Princesa Isabel, Seis de Março e Limoeiro. E Manaus? Sabe não? Pois bem, pasme! Manaus tem mais que trezentas pontes. Até gostaria de discorrer sobre cada uma delas, mas não dá a maioria não possui nome oficial. Assim, me aterei às dezoito pontes mais conhecidas, aquelas que me ajudavam a chegar aos bares que eu desejava fossem o objeto desta crônica.

Antes e apenas como aperitivo, citarei duas não menos importantes: a ponte Engenheiro Villar Câmara, aquela do Igarapé da Cachoeira Grande do Tarumã, lugar que me valia pra impressionar turistas, parentes e namoradas de cá e além-fronteiras; e Isaac Sabbá, situada na Rua Leonardo Malcher, centro, entre a Rua Major Gabriel e a Avenida Joaquim Nabuco, perto da Lisbonense. Lembrou?

Vamos às dezoito: a caçula das nossas pontes é a ponte Octávio Beleza da Câmara, localizada no condomínio Alphaville, Zona Oeste de Manaus, inaugurada no dia 27 de dezembro de 2014.  A ponte tem 55 metros de extensão e 15 de largura. A estrutura faz ligação entre as avenidas Coronel Teixeira, antiga estrada da Ponta Negra e do Turismo. Desta eu nada tenho pra contar, exceto da justa homenagem prestada ao saudoso Octávio, irmão do amigo Heraldo, da Eliane, Graça, Margot e Sérgio.

A Ponte da Bolívia, eu já contei em crônica anterior, eu achava que ficava no país andino de mesmo nome. Tem vinte metros de comprimento e fica sobre o Igarapé do Quitó (ou Quixó). Sua construção começou em 1957, e sua inauguração ocorreu no dia 21 de fevereiro de 1958. O nome oficial é ponte Antônio Vital de Mendonça, mas o povo a batizou Ponte da Bolívia e ponto final. Caramba, deu saudade do peixe, da água e dos beijos molhados com sabor de pecado!

Sobre o Igarapé do Mindú há três pontes. A primeira fica na antiga Avenida Recife, hoje Mário Ypiranga Monteiro, próximo ao viaduto Miguel Arraes. A segunda, construída para viabilizar o acesso de pedestres para o balneário Parque dez de novembro, fica na Avenida Darcy Vargas, também próxima ao mencionado viaduto. A terceira liga a Rua Paraíba, hoje Humberto Calderaro, com o Conjunto Castelo Branco, a Cohab-Am do Parque Dez. Sobre essa eu ando quando elejo o Passeio do Mindú como local de caminhada.

A ponte Senador Fábio Lucena foi inaugurada no dia 16 de novembro de 1987. Tem 256 metros de extensão e liga os bairros de Aparecida, a partir da Rua Comendador Alexandre Amorim, e São Raimundo, via Rua Cinco de Setembro. Se tivesse sido inaugurada antes, eu não teria ido tantas vezes de ônibus e duas vezes de catraia – saindo da Pausada, na Rua Frei José dos Inocentes – paquerar as meninas nos arraiais do bairro da Glória ou as alunas da Escola Estadual Marques de Santa Cruz, na praça em frente à igreja do santo que dá nome ao bairro. Em 1979, por iniciativa da vereadora Otalina Aleixo, a praça passou a homenagear o mais ilustre morador do bairro, o servidor público, político, presidente da Câmara Municipal de Manaus, presidente do São Raimundo Esporte Clube, diretor da Rádio Difusora do Amazonas e pai do querido amigo Francisco Roberto (Bob), Ismael Benigno.

A Ponte da Conciliação fica sobre o Igarapé do São Raimundo, interliga os bairros da Compensa, São Jorge, Santo Antônio, Glória e São Raimundo com o antigo Boulevard Amazonas, hoje Boulevard Álvaro Maia. Sua inauguração data de 25 de outubro de 1979. Ao seu lado fica a Ponte Presidente Dutra, que conecta os bairros de São Raimundo, Santo Antônio e Glória ao mesmo Boulevard. Esta foi inaugurada em janeiro de 1951. Inicia na rua do mesmo nome e desemboca na Avenida Kako Caminha. Por esta Ponte cansei de ir e vir do Estádio da Colina, hoje Ismael Benigno e do Bar Ponta do Vento, onde ouvia Chorinhos de responsa.

Sobre o Igarapé da Cachoeira Grande, a ligar a zona Oeste ao bairro de São Jorge, há duas pontes edificadas. A que permite o transito veicular no sentido centro/bairro chama-se Lopes Braga e foi inaugurada em 1952. Na direção bairro/centro denomina-se Joana Galante e foi inaugurada em oito de agosto de 1978. A primeira homenageia um engenheiro manauara, a segunda a mãe de santo paraense mais famosa de Manaus. Mais de mil vezes atravessei essas pontes para ir e vir da Ponta Negra, Hotel Tropical, azarar as minas no Conjunto Residencial da Cophasa, passar o pano nos brotos da Vila Militar ou, dentro da mala do carro, entrar sem pagar nas memoráveis festas do Círculo Militar.

Por cima do Igarapé do Mestre Chico se destaca a majestosa Ponte Benjamin Constant, a Ponte de ferro, a mais antiga e mais bonita da cidade. Sua inauguração data de sete de setembro de 1895. Construídas por italianos e a guardar a arquitetura daquele País, as outras duas pontes são conhecidas como Pontes Romanas I (primeira ponte) e II (segunda ponte). A nomenclatura da Romana I é Floriano Peixoto, a Romana II se chama Deodoro da Fonseca, ambas inauguradas em 1896. A Romana I fica sobre o igarapé de Manaus, a Romana II, depois do Palácio Rio Negro no sentido Cachoeirinha, sobre o Igarapé do Bittencourt. Causava-me inveja a intrepidez contagiante dos curumins – verdadeiros áqualoucos – que, com os pés nos corrimãos das pontes, saltavam, nos períodos de cheia, em pé ou de cabeça, nas negras e ainda límpidas águas do delta formado pelos dois igarapés. As bolhas d’água que o impacto gerava, lembravam um copo cheio de Pepsi, Coca ou Baré Cola, a receber pedras de gelo.

Prudente de Moraes é a Ponte dos Bilhares, que também já foi Ponte da Cachoeira Grande e ainda há quem a chame de Ponte do Bosque ou do Cidade Jardim. Construída sobre o Igarapé da Cachoeira Grande, hoje Igarapé do Mindú, também é de ferro e foi inaugurada em 1896. Dessa guardo triste lembrança, foi lá que o Carlinhos Cordeiro, meu vizinho de rua, em trágico acidente automobilístico feneceu.

Ponte Ephigênio de Sales, no Igarapé do Quarenta, é a que liga o bairro Cachoeirinha ao bairro Educandos. Hoje não mais recebe o trafego de veículos, serve apenas para a travessia de pedestres. A Ponte Juscelino Kubitschek, prolongamento da Avenida Castelo Branco, paralela à Avenida Ephigênio Sales, liga os mesmos bairros, essa sim é trefegada por veículos. Por estas ia ao Aeroporto Ponta Pelada comer as imbatíveis minis pizzas.

Sobre o Igarapé do Educandos fica a ponte Padre Antônio Plácido de Souza a unir o bairro Educandos ao centro da cidade. Tem 340 metros e foi inaugurada em outubro de 1975. Convidado pelo Vavá das Candongas, por ela eu chegava para brincar o animado carnaval da Bhanda Bhaixa da Hégua. A concentração era num Bar acanhado de nome Casa Ideal, na famosa Baixa da Égua. Estimulado pela fome, antes e depois da construção da Ponte, eu me acabava na caldeirada de tucunaré carregada de pirão e pimenta da Peixaria Panorama. Bom demais desfrutar da vista para o Rio Negro. Égua, como faz tempo!

Por último ficou a Ponte Rio Negro sobre o rio do mesmo nome. É a maior ponte estaiada (suspensa por cabos) e fluvial do Brasil. Foi inaugurada em 24 de outubro de 2011, tem 3,6 quilômetros de extensão e une Manaus a Região Metropolitana (Iranduba, Manacapuru…). Bem, a Ponte é recente, eu já na descendente e um tanto quanto inapetente… não há história existente.

Manaus é a Veneza brasileira”. É sim.

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sobre o autor

Articulista-Lucio-MenezesManauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, heterossexual, sonhador e eterno aprendiz.