LEITURAS SUGESTIVAS

Em 7 de novembro de 2019 às 16:01, por Gilson Gil.

compartilhe

Em recente viagem, adquiri um livro muito interessante: “Os robôs e o futuro do emprego”, de Martin Ford. Sou muito atraído pelo tema das tendências econômicas globais, tentando ficar ligado no que se discute sobre isso. Na mesma linha, também li “A quarta revolução industrial”, de Klaus Schwab, e “Superinteligência”, de Nick Bostrom. São obras que procuram identificar os rumos que a humanidade está tomando, para além de regimes políticos ou singularidades culturais, reconhecendo megatendências globais.

Em viagens recentes pelo Brasil, sem falar do exterior, também reparo como, cada vez mais, os empregos estão sumindo. Supermercados sem caixas ou embaladores já é um realidade no sul/sudeste. Agora, começaram as lanchonetes e restaurantes sem atendentes ou garçons. Apenas totens eletrônicos, como aqueles para pagamento de estacionamento em shoppings, e uma cozinha de onde saem os pratos e um entregador apenas para dar o prato na mão do cliente. Ir a restaurantes ou lanchonetes com atendentes anotando pedidos, conversando, sendo simpáticos e atraentes, está virando artigo de luxo. Quem quiser um local assim terá de pagar e caro pelo “luxo” de ser atendido por um ser humano. Aí é que entra o tema da superinteligência, da Inteligência artificial. Cada vez mais, os pesquisadores buscam criar seres artificiais com raciocínio, sensibilidade e criatividade similar ou superior à humana. Os simples totens serão substituídos, em futuro próximo, por seres que poderão responder, atender, brincar e responder como qualquer sommelier bem preparado e atencioso. 

O mito de que as atividades criativas continuarão sendo exclusividade dos humanos está sendo derrubado. É nisso que se insere o debate sobre a quarta revolução industrial. As fábricas já estão informatizadas na sua quase totalidade. A fuga dos empregos para a área dos serviços, tema de abordagens clássicas, como a de Jeremy Rifkin, em “O fim dos empregos”, está sendo derretido impiedosamente.

Tudo isso para falar que o Amazonas, cuja economia é totalmente dependente do PIM, precisa ficar alerta. A produtividade e a arrecadação do PIM não podem ser os únicos critérios para se avaliar o desenvolvimento regional. Há dois temas que precisam de uma atenção especial neste momento: a adaptação do PIM à Indústria 4.0, a fim de que não fiquemos obsoletos cientificamente, vendo a Zona Franca morrer de causas naturais, e o destino dos empregos. Se a indústria cada vez mais gerará menos empregos, onde os amazonenses irão trabalhar? A área dos serviços não é mais a solução. E qual seria essa resposta?! São temas que as elites locais – políticas, econômicas, intelectuais etc – precisam ficar atentas. São questões que não são mais para o futuro. Elas já são o presente. E um presente assustador, caso não tenhamos noção disso.

Comentários:

sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.