ÍNDICES, RESULTADOS E FUTURO

Em 10 de dezembro de 2019 às 15:13, por Gilson Gil.

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No final de novembro, saíram os números do exame mundial Pisa, de educação. O Brasil continua seu ritmo de queda, sem vacilar. Desde 2009, continuamos caindo nesse exame. Nossos resultados em leitura, capacidade de realizar operações matemáticas e habilidade em ciências é sofrível. Conseguimos, agora, chegar ao ponto de sermos o pior país da América do Sul. E, para piorar, em nosso caso, a região norte ficou com índices abaixo da média nacional, que já foi péssima. 

Isto nos leva a outra indagação: quais os resultados que a propaganda maciça sobre a educação estadual e municipal está obtendo?! É comum a mídia local destacar como Manaus e o Amazonas estão subindo nos índices nacionais, “melhorando”, se “superando”etc. Contudo, creio ser hora de repensarmos tudo. De que adianta termos índices maravilhosos, se, na hora da comparação com outros países, ficamos na Lanterninha?!

Penso no exemplo do futebol brasileiro deste ano. Estávamos acomodados com os treinadores de sempre (Mano, Abel, Felipão, Cuca etc). Pouco vencemos em termos internacionais, mas sempre falávamos que nosso “futebol é o melhor”, que “ninguém supera o futebol brasileiro” etc. Foi só chegarem dois técnicos internacionais – Jorge Jesus e San Paoli – que tudo mudou. A incompetência e a preguiça nacional ficaram escancaradas. Sem serem geniais ou de primeira linha – como Guardiola ou Klopp – mostraram aos brasileiros o que é o futebol mundial e como se joga na Europa.

Esses exames internacionais têm essa vantagem. Mostram o que realmente andamos fazendo com nossa educação. Escancaram nossos limites, exibindo como os índices propagados na mídia local são infrutíferos. É hora de compreendermos que índices não são resultados. A vida cotidiana da capital e do estado não é agradável. A violência, a miséria e a desorganização andam soltas no Amazonas e em Manaus, sem falar nas cidades do interior. As piores cidades do Brasil, em IDH, estão aqui. Nossos números de desemprego são maiores do que os nacionais, devido aos limites de nosso modelo econômico. Muito se fala em alternativas, mas pouco se faz, de concreto.

Enfim, que esses números da educação, assim como no futebol, sirvam para que o estado e os municípios progridam. Não podem servir para desestimular os esforços já efetuados. Porém, é mais do que hora de revisarmos procedimentos, metas e comportamentos. O que está dando errado? Por que nossos jovens não conseguem compreender um texto ou realizar uma simples operação matemática? Se o Amazonas quer realmente se desenvolver, esta barreira precisa ser superada. E não será apenas com índices que isso melhorará, mas com resultados.

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.