De circo, futebol e apartamentos

De circo, futebol e apartamentos

O terreno todo era como chamavam: baldio. Colocavam umas traves – que vocês sabem ser aqueles três paus que também se chamam arco ou simplesmente gol – e, assim, o “pau surrava”. De manhã e de tarde, e aos domingos com times de equipamento, reduzido na época somente às camisas, pois calção cada um jogava com o seu e chuteira era sapato-de-tênis.

Quando chegava um circo era ali que armavam. Com o Nerino, apresentando o Bartolo e o Picolino com a “pula violeta”: o circo zoológico; o circo-teatro-show; e outros e outros. Muitas atrações, certamente, inesquecíveis como das japonesas do arame ou os irmãos Temperani, naquela bola de ferro toda fechada, chispados em motocicletas e bicicletas.

Um dia se encontraram, longe daqui e o espetáculo terminou. Houve um amazonense que chegou à presidência do IAPETC. O dr. Newton Santos, que cismou em deixar alguma coisa de sua administração aqui na terra. E fez o grande edifício. Que embelezou a cidade e veio ensinar ao caboclo cá da taba a morar em apartamento.

Mesmo reclamando contra o elevador e a falta de água agora até caminhando mais ou menos. Na frente, à Praça Pedro II e mais lá distante, sem a gente ver, mas, imaginando o velho prédio onde funcionou em toda a sua plenitude o Cassino Club depois avacalhado com o nome de “Chinelo”. E o edifício do IAPETC aí está, sem até hoje se encontrar explicação para o gesto do dr. Newton: fez o prédio e nunca apareceu por aqui, para pedir votos.

Coluna A Cidade em Foto do Jornal A Gazeta, 25 de janeiro de 1964.