Gilberto Barbosa – Contando histórias (4)

Em 28 de junho de 2016 às 08:00, por Cláudio Barboza.

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Gilberto Barbosa, ou simplesmente Gil, era o nome de maior projeção do colunismo social em Manaus no final da década de 70 e durante muitos anos da década de 80. Estilo refinado e bastante irônico, ele chegava à redação de A Crítica às 15h, com uma pequena pasta na mão. Era ali que guardava anotações que se transformariam em notas na coluna do dia seguinte.

Na minha avaliação, Gilberto Barbosa foi o responsável pela modernização do colunismo social em Manaus. Era comum, à época, que as outras colunas fizessem relatos do tipo: “No aniversário de Magnólia a toalha da mesa era de renda comprada em Paris” ou então: “Na festa do Ideal, a luluzinha Ilda usava vestido comprado em São Paulo no tom…” e por aí afora.

Gil mudou e importou o estilo moderno do colunista Zózimo, do Jornal do Brasil, passando a noticiar política, economia e também fatos sociais com um texto de estilo direto e informativo.

Gil introduziu, naquela época, a figura do secretário ou colaborador da coluna. Pessoas que ficavam ao telefone colhendo informações para ele. Entre os vários colaboradores, recordo do Almir, que protegia a sete chaves, uma agenda muito cobiçada pela redação, pela quantidade de nomes com os muitos telefones que tinha. Uma agenda desse tipo valia ouro!

Gil era uma das estrelas de A Crítica e gozava da amizade do Calderaro, a quem ele só chamava de Umberto. Além da coluna, Gil gostava de tocar piano em seletos grupos, vestia-se com elegância e tinha um humor refinado. Acompanhava todo o processo de fechamento da coluna, ao lado do diagramador.

Gil foi responsável pela criação de bordões do tipo “ploft”, usado para concluir uma expressão e “Manô de mil contrastes”, entre outras.

No início dos anos 80, nasceu em Manaus o MFS (Movimento Fortalecimento Sindical) que foi o responsável pela criação do primeiro piso salarial para jornalistas no Amazonas. Após inúmeras reuniões na sede do sindicato o acordo foi firmado com as empresas de jornais A Crítica, Jornal do Commercio e A Notícia. Piso salarial de dois salários mínimos e meio, mais 20% para a função de editor e jornada de cinco horas de trabalho.

As emissoras de rádio e TV ficaram de fora, alegando que estavam ligadas ao Sindicato dos Radialistas.

Alguns que participaram do movimento: Orlando Farias, João Batista (que era correspondente do Jornal do Brasil e morava à época em Manaus), Mário Monteiro, Sebastião Assante, Messias Sampaio, Wilson Nogueira, Célia Pacífico, Chico Pacífico, Agnelo Oliveira, Carlos Machado, Inácio Oliveira, Deocleciano Bentes de Souza, Miltão, Ivânia Vieira, Carlos Dias, Eleonora, Mário Procópio, Verenildes, Garganta, Casimiro, Eduardo Moura, entre outros.

 

Articulista Cláudio Barboza 

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sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.