Flaviano Limongi – Contando histórias (3)

Em 30 de maio de 2016 às 15:35, por Cláudio Barboza.

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O jornalista Flaviano Limongi que, durante anos escreveu diariamente a coluna “Bazar” no Jornal A Crítica, vez por outra dava uma força na Editoria de Esportes do jornal. Certa ocasião, em uma viagem do Belmiro Vianez – que era oficialmente o editor de esportes – a Portugal, o Limongi assumiu a editoria. Ele ficava na Sapataria Limongi, localizada na Sete de Setembro, bem atrás da Igreja Matriz, mas todas as tardes ia à redação da rua Lobo D’Almada. Eu, Sebastião Assante, Eduardo Moura e Agnelo Oliveira batíamos ponto lá na sapataria para pegar a pauta, enquanto o Messias Sampaio ficava na redação. Numa dessas idas, Limongi nos deu um gravador para o trabalho. Era um trambolhão, grande à beça, daqueles de rolo, meio incômodo, mas dava pra levar em algumas entrevistas. Flaviano Limongi era amigo pessoal de Calderaro e um apaixonado pelo Amazonas e por esportes. Foi ele quem praticamente criou a FAF (Federação Amazonense de Futebol).

Ao contrário do que acontece hoje, a Editoria de Esportes dava prioridade ao futebol local. Diariamente duas páginas eram dos clubes locais e no domingo o número subia para cinco. Trabalhava-se com muitas reportagens e os textos eram mais longos do que os modelos atuais. Umas 30 linhas eram base de uma matéria, mas, em média, uma reportagem especial era escrita com cinco a seis laudas. Um repórter produzia de três a seis matérias por dia. A contagem de linhas de uma lauda variava de jornal pra jornal. A Crítica seguia o modelo Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, um dos maiores do país até a metade dos anos 80. A lauda que era uma folha de papel no tamanho ofício, tinha 31 linhas em alguns casos e 28 em outros.

Fumaça

A redação era barulhenta, falava-se em voz alta, havia o telex martelando sem parar, o rádio e a fumaça constante dos cigarros. Em uma ocasião, o ar condicionado da redação quebrou. Foi um caos. Durante dias o sofrimento foi intenso, até que um dia o chargista Miranda, dono de um traço que dispensava palavras – que o coloca até hoje como um dos principais talentos entre cartunistas na região – fez uma caricatura do Calderaro mexendo um caldeirão com muitos de nós de forma estilizada dentro do panelão, suando em bicas. Fixou no quadro de avisos. Alguém falou ao Calderaro que terminou dando uma espiada no material. Rendeu uma boa gargalhada do “seo” Umberto e logo em seguida a troca do aparelho de ar condicionado… Ufa! Que alívio!

Quase no início dos anos 80, Manaus tinha pouco mais de 300 mil habitantes, a Zona Franca estava começando… a vida era calma, o sapato masculino da moda era o “Cavalo de Aço” e bom mesmo era frequentar as festas nos finais de semana no Bancrévea e Olímpico, enquanto a elite se dividia entre o Ideal e o Rio Negro Clube.

Da redação daqueles anos, faziam parte o Ajuricaba Almeida e o colunista social Gilberto Barbosa, que foi o autor da expressão “Manô de Mil Contrastes”… mas, essa é uma história mais pra frente.

Articulista Cláudio Barboza

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sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.