Correspondentes – Contando histórias (1)

Em 19 de abril de 2016 às 11:00, por Cláudio Barboza.

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No início dos anos 80, em Manaus, os correspondentes de grandes jornais da época – Estado de São Paulo, Globo e Jornal do Brasil – enviavam material para as sedes localizadas no Rio e São Paulo, de cabines dos Correios, que tinham telex, uma espécie de máquina de escrever sofisticada que tinha teclado e um telefone acoplado ao equipamento. Discava-se o número da sede e estabelecido o sinal, o material era enviado em forma de texto.

Os correspondentes preferiam gravar a matéria, o que era feito acionando-se uma fita de papel que a medida em que se digitava ela era perfurada em pequenos pontos. Ao se concluir, a fita era colocada num local adequado e após o sinal ser estabelecido com a sede, um botão era acionado e o material seguia sem maiores problemas, pelo menos na maioria das vezes. Essa era a prática dos correspondentes e de outros jornalistas que chegavam a Manaus para alguma cobertura especial.

As cabines dos Correios ficavam localizadas na avenida Eduardo Ribeiro, bem perto de onde está o Relógio Municipal. A sede principal dos Correios, onde era feito atendimento ao público, ficava a Marechal Deodoro, mas as cabines localizavam-se na Eduardo Ribeiro, atrás do prédio principal da empresa.

Apenas um correspondente agia diferente. Ele conseguia passar o texto de forma direta, numa rapidez impressionante e numa capacidade de redigir o texto sem ser necessária uma correção. Era o Mário Monteiro de Lima, que era Editor Nacional do Jornal A Crítica e correspondente do Jornal O Globo, função que exerceu durante muitos anos.

Mário Monteiro saía das entrevistas às pressas, como a maioria dos jornalistas faz no seu dia a dia, fazia anotações em umas laudas – material usado abundantemente à época nas redações – que embolava nas mãos e às vezes guardava nos bolsos. Eram rabiscos que só ele mesmo conseguia traduzir. Chegava à cabine e de um fôlego só, passava tudo sem fazer uma revisão, sem nenhuma parada. Tudo de uma vez só.

O Mário Monteiro também cursava Direito, no turno da noite, na UFAM. Exerceu a função de procurador da Câmara Municipal de Manaus e de editor em outras áreas durante bom tempo no Amazonas Em Tempo. Tem também a história do dia em que o Mário Monteiro resolveu usar um gravador… e tem a história da primeira disputa eleitoral de Arthur Neto para governo do Amazonas…, mas essas histórias, eu conto mais pra frente.

Articulista Claúdio Barboza

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sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.