Os bons tempos do basquete em Manaus – Contando Histórias 35

Em 6 de fevereiro de 2020 às 11:40, por Cláudio Barboza.

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A primeira tabela de basquetebol em fibra de vidro em Manaus foi inaugurada na quadra coberta do Olímpico Clube, ao lado da sede do clube, na Constantino Nery. Naqueles anos – metade da década de 70 em diante – o basquete em Manaus fervilhava. Os jogos dos times adultos eram transmitidos ao vivo pelas rádios Rio Mar e Baré.

Mas este relato é sobre nossa geração que jogava no juvenil. O time era o Olímpico Clube. Muitos da nossa turma começaram no Nacional, cuja sede social ficava à rua Saldanha Marinho. Depois passamos pelo Rio Negro e finalmente chegamos ao Olímpico onde permanecemos por várias temporadas.

A maioria do grupo estudava no Colégio Dom Bosco, que tinha tradição no basquete. Nosso maior rival nas competições escolares era o time da então Escola Técnica Federal e depois, passou a ser o Colégio Militar. Entre os clubes, o Bancrevéa era o maior rival. É uma incrível verdade que em todos os anos que jogamos nunca perdemos um jogo nas competições locais. Um recorde sem dúvida, que bem poderia estar no Guiness Book, afinal isso durou mais de três anos.

Manaus era uma cidade tranquila, com pouco mais de 300 mil habitantes e a única quadra coberta era do Olímpico, onde se teve também a primeira tabela em fibra de vidro, inaugurada em jogo com a seleção brasileira feminina de basquete.

Depois tivemos o Ginásio Renné Monteiro, o Ginásio do Rio Negro e ginásio da Escola Técnica Federal do Amazonas.

Além do Olímpico, havia equipes juvenis do Rio Negro, Bancrevéa, Saga, Nacional e de uma comunidade batista norte-americana que existia na região do Puraquequara.

Até hoje me surpreendo ao lembrar a estrutura existente naqueles anos. Os clubes tinham departamento de esporte amador. Mantinham técnicos, massagistas e equipamentos, inclusive com tênis para treinos e jogos. Nosso benefício além dos treinamentos e jogos era a carteirinha, que dava acesso aos parques aquáticos. Olímpico e Rio Negro tinham ótimas piscinas e o Bancrevéa mantinha sede social e campestre.

Entre os técnicos da época, lembro bem do Eraldo, “seo Eraldo”, vivo até hoje, Walorman, Valverde, Galega e Arthurzinho.  Cabe aqui o registro do Peteo, um apaixonado por esse esporte, que dedicou sua vida ao basquete feminino do Amazonas, treinando gerações.

Nossos treinos eram três vezes por semana e nos outros dias, as “peladas”, aconteciam nas quadras de cimento do Dom Bosco e do Benjamin Constant. A grande disputa se dava no 21 (dois contra dois. Ganhava quem fizesse 21 pontos. Saia faísca!)

Desses tempos havia o Paulinho, aluno do Dom Bosco, com 1,70m, magrinho e dono de um arremesso mortal. Era um apaixonado pelo basquete. Morava em frente ao Colégio Dom Bosco, na Epaminondas, dormia e acordava com uma bola de basquete. Naqueles anos ainda não havia o lance de três pontos, mas se tivesse, Paulinho com certeza iria brilhar.

A questão de altura era um problema para jogar fora de Manaus. Quase todos nós tínhamos pouco mais de 1,70m e só alguns poucos alcançavam mais de 1,80m, mesmo assim a qualidade técnica era boa e havia um bom conhecimento de “fundamentos” (quem é do basquete sabe o que significa essa expressão).  Aqui uma lembrança do Carlito. Tinha 1,78m e conseguia brigar no rebote com caras de dois metros.

Nossa geração foi a primeira do Amazonas a participar dos Jogos Estudantis Nacionais, realizado em Maceió, Alagoas, 1972. Além do basquete, várias modalidades participaram daqueles jogos. Pra se ter uma ideia, três aviões Boeing saíram de Manaus até a capital alagoana levando a delegação do Amazonas.

Tivemos oportunidade de disputar pela seleção amazonense, Campeonato Nacional, em Fortaleza, e Campeonato de Clubes Campeões, em São Paulo, pelo Olímpico. Nas competições nacionais o sofrimento era grande. Nossa baixa estatura era o maior obstáculo.

Teve um dia em que para a alegria de todos nós, o técnico Arthurzinho, de Pernambuco, um gênio do basquete, que havia construído uma história de muito sucesso em Recife foi contratado para treinar as seleções amazonenses… mas essa é uma história mais para a frente…

OBS: Registro da época. Atletas: Mito (Anselmo), Raimundo Jimenez (um gigante no rebote com seus quase 1,80m), Carlito, Ricardo Borges, Paulinho, Tadeu Borges, Cleveland Jezini, Rochester Jezini, Maurício, Lúcio, Shoeder, Nascimento (Naná), Celso Gióia,  Rodolfo Braga, Ernesto Braga, Cnéio, Zé Ivan, Amadeu, Josetito Lindoso, Gil, João Negão, Cláudio Barboza, João Blá Blá Blá, Pery, Juraci.  Falecidos: Carreira (exceção em altura, tinha mais de dois metros de altura, era pivô do Bancrévea), Hugo e Diouro. Surgiram logo após nossa geração e alguns ainda jogaram em nossos times: Egídio, Aranha jogador de talento, que se tivesse mais altura, teria sido destaque nacional), João, Airton Gentil, Adílton, Mesquita, Diego e John Americano.

Árbitros locais da época, Heraldo Costa, Calderaro, Enock, Bicudo. Árbitros da CBB: Edson Bispo, Manoel Tavares e Paulo dos Anjos. Ex-presidentes da FEBAM (Federação de Basquete do Amazonas), Sínval Gonçalves, Jaime Rheder, Eraldo Costa, e Tito Lívio.

Técnicos da época: Eraldo Costa, Valormam, Galega, Valverde, Arthurzinho, Peteo.

Clube da nossa geração “OLÍMPICO CLUBE” do saudoso presidente,  Almério Botêlho.

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sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.