CONTANDO HISTÓRIAS (34)

Em 11 de setembro de 2019 às 17:32, por Cláudio Barboza.

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Mais um capítulo da série CONTANDO HISTÓRIA (34) – A redação de A Crítica havia mudado. Saiu da parte da frente do prédio
que dava para a rua Lobo D’Almada e foi transferida para o “meio” do prédio. Na área de entrada ficaram os departamentos administrativos e
o gabinete do dono, Umberto Calderaro. Lá no fundão, a redação. O prédio tinha frente para a rua Lobo D’Almada e ia até a rua Joaquim
Sarmento, onde anos depois seria feita uma redação bem maior, que possibilitou mudanças significativas na produção do jornal e que vamos
lembrar mais à frente.

Para chegar ao apartamento onde morava dona Maria Calderaro – sua mãe – que morava na outra extremidade do prédio, na parte que dava para a
rua Joaquim Sarmento, “seo” Umberto Calderaro passava por dentro da redação.

Toda as vezes que Calderaro passava na redação, a impressão que tenho até hoje é que o tempo parava. Dava até pra ouvir o ritmo da
respiração de todos nós. Era uma sensação de admiração, um certo receio, mas de um respeito que ia dos mais jovens, como eu, aos mais
antigos, como Leal da Cunha, Messias Sampaio, Gabriel Andrade, etc.

Calçando uma sandália estilo franciscana ele caminhava com calma entre as mesas, cumprimentava todos com aceno de mão e chegava a trocar
palavras com alguns, comentava matéria e muitas vezes o cigarro estava entre os dedos.

Aos poucos comecei a ser chamado ao gabinete do “seo” Calderaro para fazer entrevistas com alguns visitantes ou receber uma orientação direta. Costumava me apresentar observando… “esse é cria da casa”.

Depois que comecei a ganhar prêmios, as presenças eram mais frequentes. Eu sentia que ele tinha orgulho e satisfação ao nos ver crescendo profissionalmente. Uma figura e tanto, com um olhar de águia para o jornalismo, com tinta nas veias, conforme ele mesmo dizia.

A Crítica crescia rápido e outros colegas chegavam ao jornal reforçando o time. Entre eles: Sebastião Reis, Isaías Oliveira, Flávio Seabra, Peri Augusto, Carlos Dias, Inácio Oliveira, Aldísio Filgueiras, Atlas Bacelar, Albany Mota, juntando-se a Mário Monteiro de Lima, Mário Adolfo, Antônio Menezes, Pinduca, Carlos Aguiar, Antonildo Menezes, Luiz Vasconcelos, Fernando Ruiz, Luiz Otávio (que anos depois seria executado pela polícia em Manaus), Francisca do Vale, Plínio Valério, José Veríssimo, Mário Próprio, Jorge Estevan, Saraiva, (o Sabu) Mário Jorge, Leopoldo Sampaio, Gil Barbosa, Hermengarda Junqueira, etc… Nessa redação havia uma repórter que escrevia a mão e depois datilografava o texto na Olivetti, passava um tempão, primeiro escrevendo tudo à caneta e depois com dois dedos de cada mão, ia teclando na máquina Olivetti o que havia escrito…, mas essa é uma história mais para a frente…

Estamos no início da década de 80…Manaus é uma cidade tranquila e o comércio da Zona Franca fervilha com importadoras. O Nike é o tênis preferido e nas tardes de domingo tem Ideal, Bancrévea e Cheik… mas estas, são histórias mais para a frente…

 

Articulista Cláudio Barboza

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sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.