Contando Histórias (33)

Em 4 de abril de 2019 às 08:00, por Cláudio Barboza.

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Contando Histórias (33). Mercês Marinho, a nossa Mercinha, é daquelas pessoas especiais que a gente guarda do lado esquerdo do coração. Pois bem. Foi ela que, atenta ao mundo, descobriu em uma incursão pela internet que certo amazonense chamado Marco Archer Cardoso Moreira havia sido condenado à morte na Indonésia e que estava numa espécie de “corredor da morte” aguardando a execução.

À época, Mercinha era casada com o jornalista Paulo Castro, a quem ela repassou a informação. Creio que passava um pouco das 19h quando Paulo contou a informação a mim e ao Sebastião Reis. Começamos uma apuração que só terminou de madrugada e garantiria ao “Estado do Amazonas” um furo em toda mídia local.

Marco era de uma família tradicional do Amazonas, neto de Lourdes Archer Pinto, irmã de Agnaldo e Henrique Archer Pinto, fundadores do Diário da Tarde e O Jornal, dois veículos de comunicação que fizeram história no Amazonas antes da década de 70. Tinha, portanto, todos os ingredientes para uma excelente história.

Foram muitas ligações disparadas da redação. Conseguimos falar com a tia que também chamava-se Lourdes e há muitos anos morava no Rio, onde também morava Marco. Ouvimos o prefeito Arthur Neto, que á época era senador e de pronto se manifestou anunciando que iria no dia seguinte levar o assunto ao Ministério das Relações Exteriores, o que realmente fez.

Procuramos entrevistar pessoas que tinham alguma ligação com a família aqui em Manaus, sem esquecer advogados, a fim de entender o caso do ponto de vista do direito internacional, Embaixada da Indonésia… aos poucos conseguimos ir montando o material da edição do dia seguinte.

Marco Archer era uma espécie de playboy. Havia morado a vida toda no Rio e nos últimos anos era instrutor de voo livre. Costumava viajar com alguma regularidade pelo exterior. Foi numa dessas que tentou entrar na Indonésia levando 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. Não deu. Foi executado em janeiro de 2015.

Deixamos a redação bem tarde, mas com sabor de vitória. Todo material foi para as páginas do “Estadão” num trabalho que contou com fotos, textos e mapas, numa montagem equilibrada e de bom gosto desenvolvida pelo nosso designer Silvio Marcos, o Marcão. Fomos também os primeiros a chegar no local onde caiu um avião Boeing da Rico… mas essa é uma história mais para a frente…

Articulista Cláudio Barboza

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sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.