Contando Histórias 25

Em 8 de agosto de 2018 às 14:00, por Cláudio Barboza.

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Fui o primeiro jornalista a ser contratado pelo diretor geral do Jornal do Norte, Paulo Markun, e por essa razão terminei indicando uma boa parte dos colegas que fizeram parte da primeira formatação da redação. Fui o segundo a ser demitido, no mesmo dia em que ocorreu o desligamento do jornalista Isaías Oliveira, que era editor de Economia e eu editor de Geral, que compreendia Cidade e Polícia.

Eu havia conversado naquele dia com alguns colegas editores, para que ninguém fizesse a gravação de chamadas para a TV por causa da injusta demissão do Isaías. De longe, o editor chefe, Henrique Lago, observou a movimentação. Minutos depois, o Markun me chamou em sua sala e disse: “Você e eu sabemos o quanto sua participação foi importante para esse projeto, mas nesse momento estou dispensando seus trabalhos. Obrigado por tudo”.

Militante do PCB durante muitos anos, Paulo Markun sabia que eu tinha uma relação muito boa com a maioria da redação. Boa parte eu havia indicado pessoalmente e outros eram colegas de muitos anos. Minha intenção não era prejudicar a empresa, mas dar ao projeto uma outra dinâmica em busca de uma viabilidade que não existia. As semanas seguintes reforçaram esse conceito e em três meses o projeto original foi sendo desmontado.

Era algo previsível. Os custos eram altíssimos. A redação tinha mais de 130 pessoas. Os jornalistas que Markun havia trazido de Rio e São Paulo, só 20% se justificavam. A demissão do Isaías ocorreu por causa de um “preciosismo”. O Bruno, que era do Rio de Janeiro, implicava com a maneira que o Isaías fechava as páginas de economia. Nada que se justificasse. O Isaías, por temperamento – eu o conheço há uns 30 anos – fazia de conta que ouvia Bruno, mas fechava à sua maneira.

Desde que entrei no Jornal do Norte, Paulo Markun havia me convidado a assumir em algum tempo a direção geral. A ideia dele era ficar uns dois meses em Manaus e depois retornar a São Paulo. Minha opção, no entanto, era outra. E por isso cheguei a conversar com o jornalista Hiel Levy, editor de Política, a quem contei a história dizendo ao final: “Eu não tenho interesse. Você tem?”. Ele disse que sim. “Então vou trabalhar o seu nome”, repliquei. Saí antes de viabilizar essa alternativa.

Meses depois, Markun me telefonou. Estava em São Paulo e necessitava de um advogado para uma disputa que teria com a direção do Jornal do Norte. Mas essa é uma história mais para a frente…

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sobre o autor

Articulista-Claudio-BarbozaUm místico religioso, que hoje poderia ser arcebispo pelo tempo de estudo no seminário... Mas fez opção pelo jornalismo. Entre Manaus e Minas uma dúvida eterna. Ex-jogador de basquete, Garantido de coração e tricolor das Laranjeiras. Graduado em Filosofia na Faculdade Belo Horizonte, jornalismo pela UFAM, mestre em sociologia pela UFMG.