Cidade da história

Em 24 de maio de 2016 às 08:00, por Otoni Mesquita.

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Ainda que aparentemente mergulhado em devaneio nostálgico, justifico esse meu passeio afetivo por uma cidade que mistura o vivido ao imaginado, e ainda que estejamos em outra época acredito ser possível compartilhar, mesmo com aqueles de memória mais recente. Não é preciso ter vivido aquele momento para encantar-se com seus elementos. Senão que validade teria fazer História e como explicaríamos o despertar das paixões pelas antigas civilizações; interesse pelas outras culturas, de que valeriam as reflexões que tentam, mas nem sempre evitam a repetição das mesmas ações equivocadas.

Mas o que me interessa nesse momento, é discutir que elementos despertam o interesse e encantam a imaginação, mantendo em nós a história uma coisa viva. Certamente não são as repetições de datas e nomes dos pontos decorados no grupo escolar. Penso que deve existir um momento ou um ato capaz de atiçar a fantasia e a memória, algo presente no ato de contar a história. Seria a narrativa em si, “o como”, apenas uma questão de talento que pode ser aperfeiçoado, ou algo natural e especial na postura, no timbre da voz, na sensualidade ou afeto contidos gesto, não importando “o que” se conte – mentira ou verdade soam com a mesma intensidade. O certo é que há qualquer coisa que vibra e contagia, reverberando e gravado em nossa película interna. Por outro lado, penso que a imaginação é algo em nós guardado, como asas que ao receber um sopro qualquer ganham impulso e podem fazer voar.

 

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Memória afetiva da cidade – Gostaria de iniciar essa nossa conversa com uma questão que nos instigue a pensar em nossa relação com a cidade e as direções preferencias que toma o nosso olhar quando tentamos captá-la. Talvez nossas escolhas revelem mais de nós mesmo do que sobre a cidade, mas que seja um exercício que nos faça refletir sobre nossas práticas cotidianas e qual é a identidade urbana que buscamos. Que cidade queremos para viver.

Se vocês tivessem que descrever a cidade de Manaus, hoje, qual seria a imagem escolhida?Será a cidade da tradição ressaltada pela imagem dos prédios históricos, destacando o Teatro Amazonas como seu símbolo máximo, com sua crista colorida sobre a paisagem? Ou será a metrópole moderna, das torres que se alongam em verticais cada vez mais altas, ou será das grandes vias iluminadas que invadem os espaços verdes e traçam novas direções. Quem terá a franqueza de mesclar becos e vielas tortas, sem os serviços básicos, traçando novos espaços, passando dos limites da periferia?

 

Articulista Otoni Mesquita

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sobre o autor

Amazonense, artista visual e historiador da cidade. Gosta de literatura, música, cinema e fotografia. Não dirige, mora no centro da cidade. Nada no Nacional e anda pela cidade olhando e fotografando pequenas coisas.