BOAS FESTAS?!

Em 26 de dezembro de 2019 às 09:31, por Gilson Gil.

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O ano de 2019 está finalizando. Sem querer imitar aquelas inevitáveis retrospectivas das emissoras de TV, penso ser relevante refletirmos um pouco sobre o ano que acaba e aquele que irá iniciar, focando alguns aspectos da realidade local.

O ano de 2019, no Amazonas, ficou marcado, na política e economia, pela adaptação de um governo novo e inexperiente aos mistérios da rotina administrativa. Em alguns aspectos, ele foi vacilante e demorou a engrenar. Sofreu com acusações, saídas de secretários e promessas não cumpridas. A educação sofreu com queixas sobre contratos estranhos e a troca de um dos secretários mais badalados, após inúmeras denúncias. Porém, o maior peso está na área da saúde. Depois de onze meses de discussão, ainda não há consensos nesse setor. Uns dizem que a dívida é x, outros, que é y. O governo diz que pagou. Os fornecedores dizem que não receberam. Os contratantes falam que repassaram todos os valores. Os servidores e terceirizados afirmam não ter recebido valor algum. Enfim, é preciso termos alguns pontos que sejam universalmente objetivos, ou seja, quanto se deve, se deve a quem, quem recebeu, quem não recebeu etc.

A oposição estadual faz críticas exageradas, creio. Reclama de gastos supérfluos e que o orçamento da saúde deveria dobrar. Entretanto, não é assim que funciona a burocracia. Há verbas que já vêm “carimbadas”, outras são destinadas a áreas específicas, assim por diante. O governo, como um todo, não pode parar. O orçamento da saúde é gigantesco, são quase 3 bilhôes de reais que a SUSAM terá à disposição em 2020. É uma área problemática a saúde. Quem sofre um acidente quer ser atendido logo e não admite esperar. Imaginem os casos mais graves, como as cirurgias e cardiopatias?! Penso que, acima da de tudo, pela delicadeza do tema, é hora do governo ser transparente. Essa “famosa” dívida precisa ser detalhada e esmiuçada. OS repasses devem ser explicitados. É preciso saber quem recebeu e quem ainda não foi agraciado e quanto se deve em cada caso. Na campanha, o governador, enquanto era candidato, dizia que tudo “era problema de gestão”. Sempre que indagavam algo dele, sua resposta era inevitavelmente essa. Agora, é mais do que hora, e orçamento existe, dele mostrar que resolveu os problemas de gestão, com transparência e impessoalidade, acabando com essa boataria que só faz mal ao governo, a ele pessoalmente e á população, que fica sem saber o real estado das finanças estaduais.

Outro tema que precisa ser pensado, entre tantos outros, para 2020 é aquele das alternativas econômicas. O orçamento estadual cresceu. Serão 18.9 bilhões no ano que vem que o governo terá á disposição. Sem falar na arrecadação que vem crescendo mensalmente. O que fazer para aproveitar essa “janela de oportunidade” que parece estar se abrindo? Como tornar esse orçamento produtivo e fazer dele uma alavanca para o crescimento? Que áreas priorizar? Infraestrutura, setor primário, logística, energia, serviços…qual delas o governo pode auxiliar? E aqui “auxiliar” não significa algum tipo de ação assistencialista ou paternalista, mas pensar em projetos que gerem resultados e fiquem por um longo tempo, que produzam empregos e renda, que mudem a realidade da capital e do interior, principalmente. Diversificar nossa matriz econômica é difícil. Porém, é imperativo que isso seja feito. Promessas nesse sentido se arrastam há anos e pelos mandatos dos mais diferentes governadores. Como já repetimos várias vezes, a Zona Franca é essencial, mas não pode ser vista como a única fonte de renda do estado. E o quanto antes se pensarem e trabalharem alternativas, mais opções todos nós teremos.

Boas festas e um feliz 2020. Em outra ocasião, começaremos a debater o município de Manaus, afinal, as eleições municipais se aproximam…

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.