Aos namorados e enamorados

Em 10 de junho de 2016 às 08:31, por Lúcio Menezes.

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Quem nunca namorou está perdoado, mas quem já namorou e disser que namorar não é bom, com certeza precisa de internação médica ou interdição judicial imediata. Namorar é bom demais. É bem inalienável, é o mandamento esquecido, o décimo primeiro: namorar até o último suspiro. Pensando melhor, talvez a sua versão para o português ficasse bem, assim: “é proibido namorar”.

É que, lamentavelmente, está no DNA de boa parte dos brasileiros a transgressão às Leis de Deus e dos homens, então Deus nos pregaria uma peça e, assim, muitos brasileiros namorariam, finalmente, até o último suspiro.

Namorar renova, rejuvenesce, renasce, estimula, encoraja, enche a gente de felicidade, não poupa sorriso, embeleza, arrepia, contagia, alegra; faz bem pra pele, pro coração, pros olhos, pro sono, pro corpo, pra alma, pra vida. Namorar é o melhor dos tônicos, é a fonte da eternidade, o melhor dos verbos, aquele que só deveria ser conjugado no presente do indicativo.

Mas enquanto namorar não for Lei Divina então seja enamorado (a). Enamore-se da natureza tão intensamente quanto intensa é a voracidade dos seus predadores; enamore-se da vida com tanta gana quanto a gana do moribundo pela sobrevivência; enamore-se da estética com tanto primor quanto o primor que a ela o arquiteto dispensa; enamore-se da ética com tanto zelo quanto o zelo que a ética reclama pra si; enamore-se da verdade com tanto apego quanto o apego que o mitomaníaco nutre pela mentira; enamore-se da pureza com tanta ousadia quanto os que teimam em pichar as cidades, em poluir os rios; enamore-se da paz com tanto querer quanto o desejo de criança mimada pelo brinquedo impossível; enamore-se do dia com tanta intensidade quanto quem busca fugir das trevas; enamore-se do estudo com tanto fervor quanto quem crê na vida eterna; enamore-se da leitura com tanto tesão quanto quem dá ao primeiro beijo na boca; enamore-se da fé com tanto gosto quanto quem saboreia a melhor das iguarias; enamore-se da conquista com tanta alegria quanto a alegria do primeiro filho; enamore-se da liberdade com tanto desejo quanto o cansaço deseja a cama…

O melhor dos namoros é aquele que, quando olhamos no espelho, vemos a felicidade materializada a sorrir pra nós, o namoro é o espantalho da tristeza.

Ah se o Êxodo contemplasse esse décimo primeiro mandamento! Talvez os homens cumprissem mais fielmente as demais Leis que, cá pra nós, estão cada vez mais sendo desrespeitadas.

Gosto finalmente de supor, porque a suposição jamais se divorcia do sonhador. Vamos lá, fechemos os olhos e suponhamos que Deus acaba de acatar a minha sugestão, passou um MSN pro Moisés e autorizou mais uma Lei, o décimo primeiro mandamento: “namorar até o último suspiro”. Então seja obediente namore bastante, sempre, pra sempre, até o último suspiro. Mas se for da sua preferência a versão “é proibido namorar”, então vá além, transgrida, ultrapasse a velocidade; afinal, para o namoro não há sinal eletrônico, multa, bafômetro e nem perda de pontos na carteira de namorado(a) acelerado(a). Não perca tempo, a vida passa rápida como a velocidade de um meteoro. Não cabe a atitude passiva descrita na versão do Chico Buarque para a música Gesubambino: “… esperando, parada(o), pregada(o) na pedra do porto com seu único e velho vestido (calção) cada dia mais curto…”.

Feliz dia dos namorados!

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sobre o autor

Articulista-Lucio-MenezesManauara, criado na José Clemente, Rua integrante do mais famoso quadrilátero do planeta terra. Torcedor do Fluminense, filho de Luiz e Joanna, canhoto, apreciador de vinho, cantor de banheiro, ex-atleta, ex-cabeludo, arremedo de poeta e escritor, heterossexual, sonhador e eterno aprendiz.