ALERTA! O SALÁRIO SUMIU!

Em 7 de agosto de 2019 às 16:44, por Gilson Gil.

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Um dos maiores “pecados” do gestor público é atrasar salários. O
funcionalismo move a economia nacional, nos seus mais variados espaços
(federal, estadual e municipal). São dívidas contraídas, expectativas que se
renovam, promessas que são feitas, contas que estão para vencer, enfim,
pelas mais variadas razões, o salário é o oxigênio do trabalhador, seja público
ou privado.

Na esteira de uma crise, que dura há uns quatro anos, e de um rombo
anunciado desde fevereiro, o governo estadual não cumpriu uma tradição de
décadas e deixou de pagar o adiantamento do décimo-terceiro em julho. Por
lei, seu prazo é novembro. Sem problemas, nesse ponto. Contudo, o peso
simbólico já ficou. Lembrando do velho Edmund Burke, nada como o peso de
se romper com uma tradição para deixar todos ameaçados. A quebra desse
costume antigo trouxe uma enxurrada de críticas e de suspeitas. Os próprios
salários estão sob suspeita, pois há rumores de que em outubro o erário
estadual se esgota. Depois, só Deus saberia…

Outros estados vivem momentos desse tipo. Rio de Janeiro e Rio
Grande do Sul passam por isso há uns três anos. Os salários do funcionalismo
são pagos em parcela, às vezes, em duas etapas, e isso, caso haja dinheiro o
bastante. Férias e décimo são objetos que estão na esfera do “desejo” apenas
para os servidores desses estados.

O risco do Amazonas entrar nessa lista de devedores é imensa, pelos
movimentos oficiais. O governador pede aos secretários que radicalizem nos
cortes, a oposição faz seguidas denúncias e a população é inundada por
boatos de todos os tipos, quando se fala em salário.

O certo é que o governo anterior jogou “cascas de banana”, desde o fim
de 2018, para ver se o “novo” escorregaria. Em sua mistura de
deslumbramento e inexperiência, o “novo” chamou a bronca para si e
escorregou em todas as cascas, até dando as próprias escorregadas por si
mesmo. No fim de tudo, o que se viu foi essa quebra da tradição do adiantamento
do décimo-terceiro e os salários ameaçados, a partir de outubro.

Os resultados políticos serão inevitáveis. E seus efeitos serão sentidos logo, na
eleição municipal. Isso tudo sem falar na repercussão desse possível atraso
salarial na Assembleia Legislativa. O que a frágil e pouco atuante base do
governo irá fazer?!

Enfim, é um momento importante na história política contemporânea do
Amazonas. Mexer com salários é algo sério. Como se não bastasse, ainda há
uma lei que imobiliza possíveis aumentos até que haja uma recuperação do
tesouro estadual e uma redução dos gastos com pessoal. O funcionalismo
ameaça uma greve, coisa impensável até pouco tempo atrás. É o “novo”
experimentando a realidade da política concreta. O palanque acabou é hora de
governar. Os gastos que não foram cortados antes, agora fazem falta. A
oposição cresceu e a base mingou. Aonde irá esse cenário. Os próximos
meses serão decisivos para o futuro deste governo e os rumos do estado.

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sobre o autor

Articulista-Gilson-GilCarioca, nascido em Madureira e criado no Catete. Sociólogo e professor da UFAM, já trabalhou em várias instituições de ensino no Amazonas e em outros Estados. É torcedor do Flamengo, está em Manaus desde 1992 e possui uma filha meio carioca, meio manauara. Torce pela cidade e pelas pessoas que aqui vivem.