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    Vista do Porto de Manaus recém-construído

    Vista do então recém-construído Porto de Manaus. In: Annuario de Manáos 1913-1914.

    O crescimento da economia gomífera em Manaus no final do século XIX tornou necessária a construção de um porto mais estruturado para que os grandes navios mercantes pudessem ancorar e transportar o produto. Uma das principais dificuldades ocorria no período da vazante – época em que o nível do rio Negro baixa consideravelmente –, o que não permitia às embarcações a ancoragem nas rampas e trapiches da orla da Cidade.

    Em 5 de setembro de 1899, o Governo Federal abriu edital de concorrência para que fossem executadas as obras de construção de um porto moderno. Começava a nascer o Porto de Manaus. A proposta aceita foi a da empresa inglesa B. Rymkiewicz & Company, que firmou contrato em 1900.

    Além da construção do próprio porto, a empresa comprometeu-se, ainda, em erguer um edifício para a administração da Alfândega e outro para a Guardamoria. Dois anos depois, a concessão do porto foi repassada para a também britânica Manáos Harbour Limited. As obras do novo porto foram iniciadas em 7 de outubro de 1902.

    De acordo com o livro Alfândega de Manaus (Garcia, 2006), a Manáos Harbour construiu, entre outras obras, uma plataforma de concreto armado sobre estacas de ferro, com 240 metros de frente; um cais flutuante, para os navios sujeitos à fiscalização alfandegária, com três transportadores aéreos, os    ropeways – chamados, popularmente, de macacos das torres; um cais flutuante de 255 metros de comprimento para os serviços de cabotagem, com dois guindastes elétricos e dois armazéns, ligados à plataforma da margem por uma ponte flutuante ou roadway, e mais 14 armazéns.

    Da margem até o cais, a ponte flutuante media 167 metros de comprimento por 12 de largura e foi inaugurada no dia     13 de abril de 1905. Quanto ao prédio da Alfândega, a pedra fundamental desse edifício foi lançada em 27 de junho de 1906. Sua inauguração, porém, ocorreu somente três anos mais tarde, em 17 de janeiro de 1909. Já as obras do Porto foram concluídas no final da década de 10.

    As exportações da goma elástica amazonense começaram a cair a partir de 1907 devido à entrada, no mercado mundial, da borracha oriunda da Ásia. Era o início da derrocada de  um ciclo de progresso que transformara nossa Capital, já naquela época, em uma cidade conhecida internacionalmente. O Porto de Manaus, acostumado com o intenso vaivém de cargas e passageiros, entrou em um processo de degradação e teve diminuída a sua relevância.

    No entanto, esse panorama mudaria durante a 2ª Guerra Mundial, quando o Japão, um dos países que formavam as forças do Eixo, invadiu a Malásia, então maior fornecedora de borracha natural dos Aliados. Por essa razão, os Estados Unidos da América voltaram seus olhos para as reservas de látex do Brasil.

    Começava o chamado segundo ciclo da borracha e o Porto de Manaus novamente voltou a receber grande movimentação com a chegada dos navios que aqui aportavam para abastecer e transportar a borracha produzida, principalmente, no Acre.

    Duas décadas depois, o Porto sofreu uma intervenção federal e os ingleses da Manáos Harbour deixaram de gerenciá- lo. Em 13 de março de 1967, por meio do Decreto 60.460, a administração do Porto foi outorgada para o Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis – DNPVM, que pertencia ao Ministério da Viação e Obras Públicas, atual Ministério dos Transportes. Finalizada a intervenção, criou-se a Administração do Porto de Manaus – APM, que era subordinada ao DNPVM.

    Em 1975, quando da sua criação, e consequente extinção do DNPVM, a Empresa de Portos do Brasil S. A. – Portobrás, vinculada ao Ministério dos Transportes, passou a gerenciar o Porto de Manaus.

    Passados três anos, em 6 de junho de 1978, o navio Helena, da empresa Linhas Brasileiras de Navegação Ltda. – Libra, chocou- se com o roadway e partiu-o ao meio. Três boias-flutuantes afundaram e as demais ficaram bastante danificadas, de forma que essa passagem ficou inutilizada.

    Para amenizar as dificuldades desse acidente e atender às necessidades do Porto, em 1º de julho daquele mesmo ano entrou em funcionamento uma nova ponte, de cem metros de comprimento por sete de largura, que ligava a plataforma de contêineres ao porto flutuante.

    A reforma na ponte flutuante que foi atingida pelo navio Helena iniciou somente em 1979 e sua reinauguração ocorreu em 16 de junho de 1980.

    As obras de recuperação modificaram essa ponte, tornando-a fixa, sobre pilares de concreto. Os engenheiros, no entanto, conseguiram fazer com que ela ainda pudesse acompanhar o nível das águas com a utilização de um mecanismo de correntes.

    Em 14 de julho de 1987, o Conjunto Arquitetônico do Porto de Manaus foi tombado pelo Iphan como Patrimônio Histórico Nacional. Esse complexo compreende os prédios da Ilha de São Vicente, na rua Bernardo Ramos, e o do Escritório Central, na rua Taqueirinha; o Museu do Porto, na Boulevard Vivaldo Lima; o prédio onde funcionava o anexo da Assembleia Legislativa do Estado, na rua Governador Vitório; o antigo prédio do Tesouro Público, na rua Monteiro de Souza; o Trapiche 15 de Novembro, além dos armazéns, as pontes, o cais flutuante, os prédios da Alfândega e da Guardamoria, e a construção localizada na entrada do Porto.

    Extinta a Portobrás em 1990, o Porto passou a ser dirigido pela Companhia Docas do Maranhão – Codomar. Sete anos mais tarde, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, sancionou o Decreto 2.184, de 24 de março de 1997, que autorizava a União, por intermédio do Ministério dos Transportes, a delegar aos Municípios ou Estados da Federação a exploração dos portos federais.

    Decorridos oito meses da assinatura desse decreto, o Governo do Estado do Amazonas, por meio do Convênio de Delegação 7, de 26 de novembro de 1997, passou a administrar e explorar o Porto de Manaus e os portos fluviais de Coari, Itacoatiara, Parintins e Tabatinga, integrantes de sua estrutura.

    Para o fim específico de gerenciar essa nova organização portuária, criou-se, naquele mesmo ano, a empresa pública Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas – SNPH, a qual, oito anos depois, se transformaria em uma superintendência estadual.

    Em 26 de abril de 2001, para “melhor explorar a infra- estrutura portuária”, a SNPH abriu processo licitatório de arrendamento do Porto de Manaus.

    Os vencedores da concorrência foram a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus S. A. e a Estação Hidroviária do Amazonas S. A. Quanto aos portos fluviais daquelas outras quatro cidades, permaneceram sob a administração da SNPH.

    O projeto de revitalização do Porto de Manaus previa, entre outras melhorias, a construção de uma estação hidroviária regional, shopping centers, um centro de convenções, praças de alimentação, um aquário amazônico, dois edifícios-garagem, além de restaurantes.

    Sua primeira etapa foi inaugurada em 16 de novembro de 2002, porém, em razão de uma disputa judicial entre o Governo do Estado e as empresas arrendatárias, os trabalhos foram paralisados em fevereiro de 2003.

    Retomadas as obras de revitalização e de transformação da área do Porto de Manaus em um centro  de  compras,  lazer e turismo, inaugurou-se, no final de 2008, uma loja de departamentos pertencente a uma rede varejista nacional.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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