• Durango Duarte - Vista da Ponte Ephigênio de Salles
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    Vista da Ponte Ephigênio de Salles

    Vista da Ponte Ephigênio de Salles, ao fundo, à esquerda. Fotografia feita na década de 40 por Moacir Andrade, hoje, transformada em um quadro que está exposto no Palácio do Governo. Acervo: Eduardo Braga. Foto: Fabio Nutti.

    Antes de sua construção, o Poder Público já havia tentado, sem lograr êxito, ao menos por três vezes, erguer uma ponte que ligasse o bairro Educandos ao resto da Cidade. A primeira delas foi em 1893, quando o governador Eduardo Ribeiro assinou a Lei 62, de 18 de outubro daquele ano, que liberava verba para a edificação de uma ponte metálica sobre o igarapé dos Educandos, atual igarapé do Quarenta.

    A segunda tentativa ocorreu por meio do projeto de lei do intendente José Liberato Tristão de Salles, apresentado no dia 16 de setembro de 1912 e transformado na Lei 724, de 7 de outubro do mesmo ano, que autorizava a construção de uma ponte, a qual sairia “da extremidade da rua Lima Bacury ou José Paranaguá”, no antigo bairro Remédios, até Constantinópolis, nome pelo qual o Educandos foi denominado a partir da administração do governador Constantino  Nery.

    A situação precária das finanças do Município naquele momento, no entanto, não permitiu que esse projeto se concretizasse. Em 1913, devido à importância dessa obra para a ampliação dos limites da Cidade, o Congresso Estadual, por meio da Lei 716, de 2 de maio, encampou o projeto do intendente Tristão de Salles, mas sem, também, conseguir realizá-lo. Somente na década de 20 que, enfim, a obra seria construída.

    O crescimento populacional do bairro Constantinópolis tornava cada vez mais inadiável a edificação dessa ponte. Por isso, em sessão ordinária da Assembleia Legislativa realizada em 2 de setembro de 1926, o deputado Francisco Galvão apresentou o Projeto 28, que reacendia o sonho de realizar-se essa obra.

    Após análise jurídica, a Comissão Estadual de Finanças e Orçamento preferiu não levar esse projeto para discussão em razão de já existir uma legislação de teor idêntico: a Lei 716, assinada em 1913.

    Retomada a ideia da construção, em 1928, o presidente do Estado, Ephigênio de Salles, mandou que o engenheiro de Minas e Civil, Antônio Rodrigues Vieira Júnior, responsável pela construção da ponte, fizesse os estudos preliminares para que as obras fossem iniciadas.

    O projeto inicial previa que a estrutura dessa ponte deveria ser de cimento armado, com cinco vãos. Os estudos aprovados, contudo, indicariam que a melhor opção seria erguê-la em alvenaria de pedra, composta por quatro vãos laterais, dois de cada lado.

    De acordo com Mensagem Anual apresentada por Ephigênio de Salles à Assembleia Legislativa em 14 de julho de 1928, a ponte seria construída no bairro Cachoeirinha.

    Havia, porém, uma indefinição quanto à sua localização: ou ela partiria da avenida Canaçary, atual Carvalho Leal, ou dos fundos das oficinas da Manáos Tramways, onde hoje existe uma unidade da Manaus Energia. Optou-se pela segunda alternativa.

    No lado de Constantinópolis, ela seria ligada “a um trecho de estrada de rodagem com a extensão aproximada de dois quilômetros” (SALLES, 1928).

    Sua pedra fundamental foi lançada em 2 de janeiro de 1929 e os trabalhos, iniciados dez dias depois. Decorridos dez meses, em 27 de novembro, inaugurou-se a obra.

    Passou por reformas em 1936, quando recebeu novo calçamento e proteções laterais. Sete décadas depois, por meio da Lei Municipal 655, de 21 de maio de 2002, sua nomenclatura foi alterada para Ponte Professor José Tavares de Macedo.

    Em 2005, devido às obras do Prosamim, a Ponte Ephigênio de Salles – denominação mais lembrada até os dias de hoje e que presta uma homenagem ao governador que a    construiu – passou por um processo de restauração arquitetônica e de recuperação estrutural.

    Sua reinauguração ocorreu em 30 de agosto daquele mesmo ano, porém, não mais para tráfego de veículos, e sim, como passagem para pedestres, parte integrante do Complexo Viário do Igarapé do Quarenta.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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