Uma província pobre de braços e rica de recursos naturais

Em 9 de julho de 2016 às 08:00.

compartilhe

A Religião Santa de Jesus Cristo se fazia presente na Província do Amazonas. A igreja dispunha de um seminário desde 1848, mas dos vinte e poucos alunos, entre internos e externos, apenas sete internos e dois externos ainda continuavam seus estudos. Em 02 de julho de 1850, por razão desconhecida, a igreja Matriz havia incendiado e a comissão criada para promover uma subscrição entre os moradores, conseguira apenas suas promessas.

O importante serviço de catequese se encontrava em atraso por falta de missionários e convencer os índios à civilização era uma árdua missão. Para agravar essa carência, havia mal-intencionadas, que pregavam aos índios doutrinas contrárias à católica, fazendo-os se embrenhar ainda mais na selva.

A necessidade de instrução primária era enorme, especialmente nas Vilas, pois não havia quem pudesse ou quisesse servir em lugares insignificantes. A maioria da população, portanto, não sabia ler.

Havia na capital oito escolas de instrução primária, das quais sete em funcionamento, contando com cento e sete alunos. O atraso na educação era deplorável, agravado pelo fato de ser a última e mais remota Província e ainda porque, quando era Comarca, a Província do Pará praticamente a abandonara. Pior estaria não fosse o seminário, que para lá levou o latim e o idioma francês.

As pontes caiam aos pedaços e as estradas estavam em estado lastimável.

A Província compreendia quatro municípios: Cidade da Barra do Rio Negro, atual Manaus; Luséa, hoje Maués; Mariuá, agora Barcelos; e Ega, hodiernamente Tefé. Suas rendas eram tão parcas que não davam para pagar as despesas de manutenção, empregados e muito menos obras de utilidade pública.

A Repartição Correio, apesar da sua importância, vivia embaraços, quer pelo aspecto material, quer pelas desavenças do seu quadro de pessoal. Os muitos e distantes lugares do interior para onde as correspondências eram expedidas e o transporte de malas demandado, só podiam ser resolvidas por vias fluviais, já que outros não existiam. Também eram poucos os meios para que se mantivessem tantas embarcações prestando o relevante serviço. A maior das carências era a inexistência de barco a vapor com linha entre as Províncias do Amazonas e Pará.

Antes do Auto de Instalação da Província do Amazonas, uma Assembleia da Província do Pará, decidiu que o comércio de regatões deveria ser extinto, porque   entendia que aquela maneira de comerciar era imoral e contrária a civilização dos povos, mais ainda, por ser responsável pelo desaparecimento de algumas povoações e o abandono de algumas Vilas.

Era esse o quadro na Província do Amazonas, pobre de braços e rica de recursos naturais, que o Imperador desejava que crescesse com educação similar às dos países cultos.