Uma linha ligando o Amazonas aos Estados Unidos

Em 1 de novembro de 2016 às 08:00.

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A navegação a vapor era vista como um meio de barateamento do custo das mercadorias, através do rebaixamento dos preços dos fretes, tanto dos bens consumidos no Amazonas, como aqueles exportados para outras províncias e para o exterior.

A renovação das concessões dependia dos rumos que o consumo internacional da goma elástica seguia. No Amazonas, Em 1880, duas companhias de navegação eram subvencionadas, uma com sede na Inglaterra, que fazia ligação da província com a Europa, realizando quatro viagens anuais e a Companhia do Amazonas Ltda.

A Lei Provincial número 458, de 23 de abril de 1880, autorizou ao governo renovar o contrato com a companhia que ligava o Amazonas à Europa aumentando para seis o número de viagens anuais. Contudo, não fazia parte dos projetos do governo provincial aumentar o número de viagens para a Europa. Antes, pretendia subvencionar uma linha que ligasse o Amazonas aos Estados Unidos, usando para isso dos recursos das duas subvenções concedidas para as viagens a mais para a Europa, acrescendo, aí, a subvenção para mais duas viagens”.

“A empresa que fazia a linha entre Manaus e o porto de Liverpool, na Inglaterra, era a Red Cross Line & Cia., que possuía a concessão desde 1877. Em 1881 essa empresa renovou o contrato, aumentando de quatro para cinco viagens por ano. Contudo, em relatório subsequente, o governo da Província reformulou a proposta sugerindo três viagens para a Europa e cinco para os Estados Unidos. Em 1883 o governo provincial contrata a concessão de uma linha direta entre Manaus e Nova York com a firma Booth Steam Ship Company Ltd. – a empresa tinha matriz em Liverpool -, fazendo três viagens por ano, também subvencionada. Esse interesse em aumentar as linhas para os Estados Unidos fazia sentido se atentarmos para o fato de que as indústrias norte americanas consumiam a maior parte da borracha produzida na Amazônia. Contudo, essas propostas feitas à Assembleia Provincial não escondiam o temor que a demanda por novas linhas de navegação subvencionadas causava em termos de onerar o erário público.

FONTE:

(REVISTA VEREDAS AMAZÔNICAS – SET – Nº 01, VOL I, 2011. Dante Ribeiro da Fonseca).