Uma arroba da goma elástica atinge o triplo de uma arroba de café

Em 16 de agosto de 2016 às 08:00.

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Em 1867, a perspectiva de incremento do comércio deu origem a alteração no imposto de exportação e a alíquota de 15% foi fixada sobre qualquer forma de borracha fabricada, independente de classificação, ainda que apresentasse diferentes preços.  A borracha fina, por exemplo, tinha melhor preço porque tinha melhor qualidade, sua defumação era feita a tempo e de melhor pureza. Já a entrefina não era coagulada no momento certo e deixava seu látex em estado grumoso, isso fazia com que o seu preço fosse menor em relação a borracha fina. A sernambi então, que era coagulada naturalmente sem processo de defumação, tinha má qualidade e por isso sua cotação atingia valores insignificantes.

Com a demanda mundial pela borracha aumentando e a seca assolando o sertão do nordeste brasileiro, em 1868, deu-se início um grande movimento migratório de nordestinos para a região amazônica. O economista Celso Furtado denominou esse momento histórico como Transumância Amazônica. Esse processo resultou na solução para a escassez da mão-de-obra nos seringais, aumentou o volume de látex extraído nos seringais para exportação, incrementou as rendas provinciais e, especialmente, os Direitos de Exportação entre 1868 e 1876.

A Província correspondia territorialmente a quarta parte do Império e a imigração era o remédio necessário para o progresso. Não havia dados estatísticos atualizados, entretanto, a população crescia com a chegada de almas vindas de Santarém, Óbidos e Gurupá do Pará.

Com a cidade a crescer, a iluminação elétrica da capital da Província do Amazonas, no ano de 1869, ganhou sessenta lampiões a querosene os quais foram distribuídos em lugares dentro dos limites urbanos determinados e colocados sobre colunas de madeira de, pelo menos, 12 palmos de altura. Cada candeeiro aceso tinha a potência de cinco velas de espermacete.  Os lampiões eram acesos meia hora depois do sol se pôr e assim ficavam até às cinco horas da manhã, exceto nas noites de luar, quando ficavam acessos até meia hora depois da saída da lua. O pagamento da iluminação era realizado mediante atestado do chefe de polícia, responsável pela inspeção, ou por quem sua vez o fizesse.

Ainda no ano de 1869, já se observava nos rios a esterilidade dos seringais e a consequente queda no fabrico da goma elástica, mas a necessidade de braços ativos na vasta região era cada vez mais imperiosa.  O interesse da Província não era somente na chegada espontânea de colonos ou nas suas importações com o fim exclusivo do trabalho extrativista, sem cultivar a terra, a devastar áreas e a levar uma vida nômade. Urgia a vinda de colonos que trabalhassem na desprezada agricultura que vivia a decadência da cultura de algumas espécies, antes abundantes.

A despeito do aumento da produção da borracha, no ano de 1870, Manaus era apenas um entreposto comercial e sua população predominantemente constituída por índios e mestiços. O Recenseamento Geral do Império de 1872, confirmou essa característica em toda a população da Província do Amazonas.

Fascinados pela abundância de produtos que a natureza oferecia, seduzidos pelas aparentes vantagens que o extrativismo levava sobre a lavoura, todos corriam para a indústria extrativa que absorvia praticamente toda a atividade da população.

Para que se possa mensurar o porquê de tamanho fascínio, uma arroba da goma elástica valia o triplo de uma arroba de café ou o dobro do custo do açúcar. Esse quadro, portanto, fazia com que as importações desses produtos aumentassem vertiginosamente. A seringa representava agora (1871/1872), na pauta da exportação, 90:705 ½ arrobas, contra 58:045 no biênio (1867/1868).