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    Teatro Amazonas com seu entorno ainda em obras

    Teatro Amazonas com suas rampas de acesso ainda em obras. Ao fundo, o Palácio da Justiça, em construção. In: Album Descriptivo Amazonico, 1899. Arthur Caccavoni.

    Ainda em obras, o Teatro Amazonas foi inaugurado no dia 31 de dezembro de 1896, com a apresentação da Companhia Lírica Italiana, cujo repertório trouxe apenas alguns números de óperas e canções.

    Crispim do Amaral, que havia começado os trabalhos de decoração da parte interna do teatro já no início de 1896, concluiria sua participação no final desse ano. À exceção do teto do foyer – o hall de entrada do teatro – e da ornamentação do Salão Nobre, o pernambucano foi responsável pelos panos de boca e de fundo, galerias, paredes, fundo de escadas, rompimento, bastidores, escudos, máscaras gregas, bambinelas, relevos dos camarotes de honra e pelas tapagens, entre outros.

    A pintura no plafond, ou teto, do Salão de Espetáculos é uma representação à Tragédia, à Música, à Dança e à Ópera, e, em seu centro, existe uma imagem, em perspectiva, que simboliza a base da Torre Eiffel, tela realizada na Maison Carpezot, em Paris, França. O pano de boca, pintado pelo próprio Crispim de Amaral, retrata o encontro das águas dos rios Negro e Solimões.

    Em 21 de agosto de 1897, o governo firmou contrato com o artista italiano Domenico de Angelis – que estava no Pará por conta da decoração do Teatro da Paz – para a realização das esculturas e pinturas decorativas do Salão Nobre, a parte mais luxuosa do prédio.

    Como não existia mão-de-obra local especializada suficiente para a demanda e a diversidade de trabalhos, De Angelis serviu, também, de mediador para a contratação de outros artistas da Accademia di San Luca e de profissionais italianos, como mestres de obras e arquitetos.

    De Angelis trouxe a Manaus, para auxiliá-lo, seu aluno, o arquiteto Sílvio Centofanti, o pintor Adalberto de Andreis, o mestre pintor Francesco Alegiani e o escultor Enrico Quattrini, além de outros conterrâneos seus, operários da construção civil e artesãos.

    O acordo com o artista italiano incluía, além da decoração do teto do foyer, a pintura do forro central do Salão Nobre – com a obra intitulada A Glorificação das Belas Artes da Amazônia – e a realização de oito bustos em gesso e pintados em mármore de Carrara, todos confeccionados por Enrico Quattrini, para homenagear os artistas brasileiros Joaquim Manuel de Macedo, Gonçalves Dias, Gurjão, padre José Mariano, José de Alencar, Pena, Magalhães e Agrário de Menezes.

    O contrato previa, também, a realização de onze painéis pintados à têmpera sobre linho lonado, imitando tapeçarias. Esse material foi todo produzido em Roma, no ateliê De Angelis/ Capranesi, e, depois, colocado nas paredes do Salão Nobre.

    Os painéis contém paisagens amazônicas, à exceção de um que presta homenagem ao maestro e compositor Carlos Gomes, com uma cena da sua ópera O Guarani – baseada no livro homônimo, de José de Alencar. As outras dez pinturas, que não possuíam nomes, foram denominadas, posteriormente, pelo público: Borboletas, Paisagem Urbana, As Garças, O Crepúsculo, Caboclos Pescando, A Onça Caçando a Capivara, Os Tucanos, Vaso de Flores, Os Esquilos e O Regatão.

    Domenico de Angelis ainda assinaria mais dois contratos com a administração do Estado para pintura e decoração do Salão Nobre, sendo um em 1898 e o outro em 1899. Faleceria, no entanto, em março de 1900, quando ainda cumpria esse último contrato e havia recém-assinado outro: o de construção do Monumento à Abertura dos Portos, na mesma praça São Sebastião, onde o Teatro Amazonas está localizado.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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