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    Sem ser artista, vive de cinema

    Coluna A Cidade em Foto do Jornal A Gazeta de 29 de janeiro de 1964.

    O cinema era mudo, o filme se chamava fita e era em parte. Nos intervalos, a luz acendia e a o “furiosa” atacava um tango argentino ou uma valsa, distraindo os espectadores. As fitas de Charles Chaplin, o Carlitos, eram sucesso. O “Western”, hoje chamado de filme de “bang bang”, era fita de artista e bandido, com público certo e seus heróis, com o Tom Mix, Buck Jones e outros astros famosos. Quando Rodolfo Valentino foi ídolo e Douglas Fairbanks (pai) filmou o primeiro “El Zorro”, ele já estava a porta de um cinema. Dizem que tinha os cabelos pretos. O “Politeama”, com suas frisas e camarotes, era o seu cinema. Vejo o cinema falado, o filme deixou de ser rodado em partes, lá pelo sul começaram a fazer os primeiros filmes brasileiros. De toda a evolução da chamada Sétima Arte ele é testemunha. Das “solrées” e “matinées”, para as sessões noturnas e vesperais. Sempre arranjava um jeito de colocar um menino sem dinheiro para dentro do cinema. As matinais, quando surgiram, ele já era veterano. Um dia, o “Alcazar” foi vendido, para dar lugar ao “Guarani”. E ele atravessou a rua, trocando, assim, de cinema. Ninguém merece, melhor que ele, a ascensão e o declínio dos ídolos da tela. Da Greta Garbo `a B B, passando por todos os grandes nomes, de ambos os sexos, da cinematografia mundial. Deve ter mais de meio século de cinema. Continua ainda à porta do cinema “Guarani”, do qual é sócio gerente. Chama-se Vasco Farias, cidadão amazonense nascido em Portugal, conhecido por muitas gerações como “Vovô Vasco”, e hoje está completando 72 anos de existência. Para contentamento de seus amigos, que o querem, pelo menos, centenário. Com os “parabéns para você”, a nossa homenagem. Que sabemos ser de toda a cidade, que o quer bem.

     

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