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    Projeto da fachada do Teatro Amazonas

    Projeto da fachada principal do Teatro Amazonas. In: The city of Manáos and the country of Rubber Tree, 1893.

    A história do maior símbolo cultural e turístico do nosso Estado inicia em 21 de maio de 1881, dia em que o deputado Antônio José Fernandes Júnior apresentou à Assembleia Provincial um projeto que solicitava verba para a construção de um teatro em alvenaria. Menos de um mês depois, em 14 de junho, o presidente da Província, Alarico José Furtado, por meio da Lei 546, autorizou a despesa de cento e vinte mil réis para a compra do terreno e o início da obra.

    O primeiro local sugerido para a construção do Teatro Provincial, sua primitiva denominação, foi a área situada entre a rua José Clemente e as antigas Progresso e Comendador Clementino, respectivamente, as atuais rua Dez de Julho e avenida Eduardo Ribeiro, onde hoje existe o Centro Cultural Palácio da Justiça.

    O responsável pelo projeto do teatro foi o Gabinete de Architectura e Engenharia Civil de Lisboa, cujo representante em Manaus era o comerciante Bernardo Antônio de Oliveira Braga. Assinaram a planta do projeto, datada de 4 de outubro de 1882, Jorge dos Santos e Felipe Monteiro.

    Em 1883, a administração provincial indicou um novo local para a edificação da casa de espetáculos: um terreno situado na mesma área da praça Paysandu (ver Capítulo Praças). Nesse mesmo ano, em 17 de maio, foram apresentadas quatro propostas para a execução da obra, sendo vencedora a de Manuel de Oliveira Palmeira de Menezes, dono da firma Menezes, Gomes & Cia. Ao menos até o final daquele ano, a construção não havia iniciado em razão do terreno ainda não ter sido preparado.

    No início de 1884, Palmeira de Menezes transferiu o seu contrato para Alexandre Dantas e este, por sua vez, repassou-o à firma Rossi & Irmão, dos doutores arquitetos Carlos e Francesco Rossi. Nessa mesma época, o presidente José Paranaguá mudou novamente o local de construção do teatro porque a área onde se pretendia erguê-lo – contígua à praça Paysandu – não era firme, visto que se localizava muito próximo ao leito do igarapé do Espírito Santo.

    Optou-se, então, pela desapropriação do terreno que pertencia ao tenente-coronel Antônio Lopes Braga, situado na praça São Sebastião, onde, enfim, seria edificado o prédio. A pedra fundamental do Teatro Amazonas foi lançada no dia 14 de fevereiro de 1884, porém, as obras foram iniciadas somente em 2 de junho desse ano.

    Os trabalhos seguiam lentamente, até que, em 1885, por falta de recursos do Tesouro, a Assembleia Provincial aprovou, em 12 de junho, a Lei 694, que autorizava a presidência da Província a renegociar o contrato com Rossi & Irmão para reduzir os custos da construção.

    Os contratados, porém, recusaram-se a aceitar qualquer tipo de acordo que viesse a diminuir suas vantagens e continuaram a construção, à revelia da solicitação do Governo Provincial. Em vista disso, em 11 de agosto daquele ano, a Presidência da Província, por meio do Ofício 24, mandou que os cessionários italianos interrompessem os seus trabalhos enquanto não houvesse um acordo.

    O entendimento entre as partes não aconteceu e os cessionários abandonaram a construção e saíram da Cidade. Por fim, em 12 de janeiro de 1886, o presidente da Província, Ernesto Adolpho de Vasconcelos Chaves, rescindiu o contrato.

    Decorridos seis anos, em 1892, o então deputado estadual Fileto Pires Ferreira apresentou projeto ao Legislativo Estadual que autorizava o Governo do Estado a liquidar a dívida com os empresários Rossi & Irmão e retomar a construção do teatro. Esse projeto foi convertido na Lei Estadual 3, de 31 de agosto daquele ano, sancionada pelo governador Eduardo Ribeiro.

    Em 1893, o Governo do Estado contratou para os trabalhos de decoração interna, pintura, plantas e instalação do mobiliário do teatro o pernambucano Crispim de Amaral, cenógrafo, decorador e pintor formado na Accademia di San Luca, na Itália. Em 31 de maio desse mesmo ano, Manuel Coelho de Castro firmou acordo com a administração estadual para executar as obras de alvenaria.

    O governador Eduardo Ribeiro havia programado a inauguração do Teatro Amazonas para 1894, no entanto, isso não chegaria a ocorrer, porque a montagem da cobertura e da cúpula duraria, praticamente, dois anos. Em junho de 1895,

    Crispim do Amaral chegou a Manaus e, enquanto não se iniciava a decoração da área interna, passou a coordenar as obras da ornamentação exterior do teatro, contratadas junto a Enrico Mazzolani.

    Em 1896, por meio do Decreto 114, de 29 de junho, o Regulamento do Teatro Amazonas foi aprovado pelo governador Eduardo Ribeiro, que não conseguiria inaugurar essa casa de espetáculos em sua administração. No governo de seu sucessor, Fileto Pires, nova data foi marcada para a abertura oficial do teatro, em 5 de setembro daquele ano, pelas comemorações da elevação do Amazonas à categoria de Província. Contudo, a demora na conclusão dos trabalhos fez com que a data fosse adiada mais uma vez.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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