A postura conservadora dos representantes políticos

Em 13 de dezembro de 2016 às 08:00.

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Seguindo o comportamento nacional, “a maioria dos representantes das elites políticas locais não buscou aderir às ideias republicanas antes do fim da Monarquia por receio de perderem seus cargos e, consequentemente, seus privilégios políticos. E buscaram, no momento da tomada de poder pelos republicanos, abraçar o movimento com o intuito de preservarem seus lugares de destaque no cenário da política regional, estabelecendo, com isso, a manutenção de privilégios adquiridos durante o regime monárquico. Assim, podemos perceber que os grupos políticos atuantes no Amazonas efetivamente compartilharam com o ideal de República somente após a confirmação de que os representantes republicanos do Rio de Janeiro haviam se estabelecido na condição de novo governo do Brasil”.

“No Pará, a realidade não se mostrou muito diferente da apresentada no Amazonas, pois apesar de apresentar uma adesão às ideias republicanas um pouco maior que o Amazonas antes da tomada de poder, podemos considerar que as fileiras de adesão ao republicanismo no Estado vizinho só engrossaram, efetivamente, posteriormente à tomada de poder pelos republicanos, postura essa adotada pelos políticos paraenses como forma de se inserirem na nova realidade do cenário político brasileiro”.

“O que se percebe é que, tanto na Província do Amazonas quanto na do Pará, a grande maioria dos representantes políticos durante os últimos anos de regime imperial procurou não compartilhar com os ideais republicanos de imediato; ao contrário, adotaram uma postura conservadora, pois tal medida representaria a continuação do sistema político e suas benesses, afinal o movimento republicano no Brasil não apresentou efetivamente nenhuma garantia de que daria certo. Como Celso Castro aponta em seu texto, o movimento poderia, sim, ter fracassado e a República não ter sido proclamada. Isso nos mostra que até o momento da efetiva tomada de poder e, consequentemente, o anúncio da instauração da República no Brasil, não se tinha nenhuma garantia de que o movimento republicano pudesse ter sucesso”.

FONTE:

A REPÚBLICA NO AMAZONAS: DISPUTAS POLÍTICAS E RELAÇÕES DE PODER (1888-1896) – JOÃO ROZENDO TAVARES NETO.
Os militares e a República: um estudo sobre cultura e ação política (Celso Castro).