• Durango Duarte - Porto da cidade de Manaus em 1902
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    Porto da cidade de Manaus em 1902

    Vista do porto da cidade de Manaus em 1902. In: Annuario de Manáos 1913-1914.

    A Abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas foi decretada pelo príncipe regente, D. João Maria de Orleans e Bragança, em 28 de janeiro de 1808, seis dias após a chegada da Família Real ao Brasil.

    Contudo, a situação era bem diferente em relação aos rios da Amazônia: preocupado com uma possível ocupação da Região Amazônica por outros países – sobretudo, pelos Estados Unidos da América –, somente em meados do século XIX é que o Império iria permitir a criação de uma empresa, com recursos financeiros e direção nacionais, para explorar o serviço de navegação do rio Amazonas e seus afluentes.

    Com o intuito de atrair investidores para a instalação de uma companhia de navegação a vapor em rios amazônicos, o Governo Imperial criou a Lei 586, de 6 de setembro de 1850, cujo projeto era de autoria do deputado paraense João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha – que, em 1852, foi empossado primeiro presidente da recém-criada Província do Amazonas. O empreendimento, no entanto, era tido pelos investidores como caro e arriscado e, por isso, ninguém apresentou proposta.

    Nesse contexto, surge a figura do gaúcho Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, industrial, banqueiro, político e diplomata, que aceitou o negócio em atendimento a um pedido do seu amigo e ministro do Império, José da Costa Carvalho, o Marquês de Monte Alegre. Em troca, o governo franqueou-lhe o monopólio da navegação do Amazonas por trinta anos. Nascia a Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas (Decreto 1.037, de agosto de 1852).

    Inicialmente, a empresa dirigida pelo Barão de Mauá mantinha duas linhas: a primeira, saía de Belém, no Pará, até a cidade da Barra do Rio Negro, então capital da Província do Amazonas, e daí, partia a segunda, rumo a Nauta, no Peru.

    O primeiro barco comercial a vapor a navegar os rios da região foi a barca Marajó, que saiu de Belém em 1º de janeiro de 1853 e chegou a Barra dez dias depois. É válido ressaltar, entretanto, que o vapor de guerra Guapiaçu, da Armada Nacional, já havia realizado essa travessia entre Belém e a então Vila de Manaus uma década antes.

    A crescente pressão internacional para que o governo rompesse o contrato de exclusividade com Mauá, associada à necessidade de escoamento da borracha, produto de interesse mundial que o mundo inteiro queria comprar, fez com que D. Pedro II, em 7 de dezembro de 1866, assinasse o Decreto 3.749 que abria o rio Amazonas à navegação internacional.

    Dois meses antes, por meio da Lei 158, de 7 de outubro, a Presidência da Província do Amazonas já havia firmado contrato com a Companhia Fluvial do Alto Amazonas, pertencente a Alexandre Paulo de Brito Amorim, no qual subsidiava a criação de três novas linhas de navegação a vapor entre Manaus e os rios Madeira, Purus e Negro.

    Essa medida também ampliava “o sistema de transportes e comunicações entre a Capital e os países vizinhos, as sedes municipais e os seringais” (GARCIA, 2005).

    O Barão de Mauá já havia acumulado uma dívida considerável com os gastos de sua companhia de navegação. Por isso, em 1869, solicitou ao Império a autorização para que pudesse transferir a administração e a exploração do serviço ao capital estrangeiro, permissão que lhe foi dada em 1871.

    Três anos depois, assumiu a concessão a empresa inglesa Amazon Steamship Navigation Co. Ltd., presidida pelo próprio barão. Essa firma – que também adquiriu a Companhia Fluvial do Alto Amazonas, de Alexandre Amorim – teve, em 1911, seu acervo comprado pela empresa americana The Amazon River Steam Navigation Co. Ltd., de Percival Farquar. Anos depois, foi encampada pelo Governo Federal, que a transformou no Serviço de Navegação na Amazônia e Administração do Porto do Pará – SNAPP, criada em 1940.

    Ainda em 1874, Alexandre Amorim tratou de organizar, na Inglaterra, uma nova companhia, a Liverpool and Amazon Royal Mail Steamship Co. Ltd. Em 25 de março desse mesmo ano, aportou, em Manaus, o primeiro navio mercante à vela – vindo diretamente de Hamburgo, na Alemanha, mas de bandeira dinamarquesa – com mercadorias para uma casa comercial alemã que existia na Cidade.

    Apesar desse marco, contudo, seria pelas mãos de Amorim que a capital amazonense receberia os três primeiros navios a vapor de curso comercial. O primeiro deles foi o Mallard, em 30 de abril de 1874, cuja viagem iniciou na cidade de Liverpool, na Inglaterra, com escala em Havre, Lisboa, Vigo e Belém. Menos de duas semanas depois, em 13 de junho, foi a vez do Lilian e, no ano seguinte, em 25 de janeiro de 1875, chegou o Amazonas.

    Àquela época, os navios tinham que atracar em ancoradouros no meio do rio Negro. Em pequenas embarcações chamadas de catraias, os passageiros eram conduzidos até aos cais aqui existentes, enquanto as cargas eram    transportadas para terra firme em alvarengas. Os primeiros cais de que se tem notícias em Manaus são o da praça da Imperatriz e o da praça Tamandaré, cujas referências mais antigas datam da década de 60 do século XIX.

    O governador Silvério Nery, em 1900, instituiu uma lei estabelecendo que a borracha produzida no Amazonas deveria ser inspecionada em Manaus e diretamente daí exportada, mesmo as que fossem oriundas de seringais de propriedade dos exportadores de Belém. Tal medida provocou a transferência de várias casas comerciais da capital paraense para cá, o que aumentou a quantidade de navios em nossos ancoradouros.

    Até 1902, ano em que foram iniciadas as obras de construção do Porto de Manaus, o embarque e o desembarque de cargas aconteciam no Trapiche 15 de Novembro, de propriedade do Governo do Estado e localizado próximo ao Cais da Imperatriz, e nos trapiches Ventillari, Fernandes, Teixeira e Witt, todos particulares, mas que, posteriormente, passaram a compor  o Complexo Portuário de Manaus.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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