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    Ponte Senador Fábio Lucena (3)

    Vista lateral da Ponte Senador Fábio Lucena. Acervo: Jornal do Commercio.

    A primeira referência que se tem notícia sobre a edificação de uma ponte nas imediações do local onde existe essa encontra- se na Mensagem Anual do superintendente municipal Adolpho Lisboa, de 15 de novembro de 1903. No documento, Lisboa sugere a construção de uma ponte para ligar as duas margens do igarapé da Cachoeira Grande, na altura do Matadouro Municipal, atual prédio da Fundação Nacional da Saúde – Funasa.

    Em 1912, o prefeito Jorge de Moraes voltou a falar sobre o assunto, mas as condições financeiras municipais serviram de entrave para a concretização dessa ideia. No ano seguinte, em mais uma tentativa frustrada, foi a vez da Assembleia Legislativa tentar solucionar o problema, com a aprovação da Lei 716, de 2 de maio de 1913, que autorizava o governo a construir duas pontes de metal: uma ligando o bairro Remédios a Constantinópolis e a outra, “sobre o igarapé da Castelhana ou São Raimundo, ligando o bairro Plano Inclinado”, atual Nossa Senhora Aparecida.

    Uma nova tentativa aconteceu em 1914, por meio do Decreto 9, de 17 de agosto, quando o administrador municipal Dorval Porto abriu crédito para a edificação de uma ponte de madeira “sobre encontros e pilares de alvenaria”, que ligaria  o Plano Inclinado ao São Raimundo. Devido ao prazo de três meses estabelecido pelo edital de concorrência, a obra somente se iniciou em 10 de dezembro daquele ano. Porém, a enchente prematura do igarapé da Cachoeira Grande, ocorrida no final de 1914 e início de 1915, fez com que os trabalhos tivessem de ser paralisados e, mais uma vez, a ponte não vingou.

    Em 1934, ano em que Pedro Severiano Nunes assumiu a gestão do Município, ensaiou-se, outra vez, a materialização da ponte, que ligaria a Cidade ao São Raimundo. Projetava-se que ela seria de construção mista, com pilares de alvenaria de pedra e leito estradal de cimento armado. O lançamento da pedra fundamental dessa ponte ocorreu no dia 22 de outubro daquele ano e, no mês seguinte, foram iniciados os trabalhos de construção dos encontros e bases de dois pilares. A obra, no entanto, sofreria nova interrupção.

    Quatorze anos depois, o Governo do Estado designou uma comissão para analisar quais as possibilidades de se dar continuidade ao trabalho iniciado pela prefeitura em 1934, ou se melhor seria construir a ponte em outro lugar. O resultado dos estudos optaria pela segunda alternativa, sendo este o início da história de outra ponte, a Presidente Dutra.

    Três décadas mais tarde, o prefeito Frank Abrahim Lima, em sua Mensagem Anual, de 1º de março de 1973, anunciava a elaboração do projeto de uma ponte para ligar o bairro São Raimundo ao de Nossa Senhora Aparecida, cuja previsão para o começo das obras seria no ano seguinte, conforme matéria do matutino O Jornal, de 1º de janeiro de 1974. Esse projeto fazia parte do Plano de Desenvolvimento Local Integrado – PDLI, elaborado pela empresa paulista Serete S. A. Engenharia.

    Frank Lima, contudo, saiu da prefeitura e deixou para a administração seguinte a missão de construir essa ponte. No entanto, foi na gestão municipal de Amazonino Mendes que   a ideia transformou-se em anteprojeto, sendo convertida em projeto no segundo governo estadual de Gilberto Mestrinho, que iniciou a edificação em 1986.

    A empresa responsável pela obra foi a Andrade Gutierrez, que a construiu entre as ruas Comendador Alexandre Amorim, em Aparecida, e Cinco de Setembro, no São Raimundo. Sua extensão mede 256 metros de comprimento e está dividida em oito vãos de 32 metros, cada. O tabuleiro superior possui 11,30 metros de largura, dos quais 8,30 metros são de pista de rolamento. Os três metros restantes são do passeio, guarda- corpo e guarda-roda.

    Assim como no caso da Ponte Padre Antônio Plácido de Souza, muitos foram os nomes sugeridos para essa ponte. Alguns desejavam que sua denominação homenageasse o ex-vereador Ismael Benigno. Outros, que se chamasse Bernardino Sena, primeiro morador do bairro.

    Cogitou-se, ainda, os nomes de Francisco Rebelo de Souza, Gilberto Mestrinho, Luiz Maximino Miranda Corrêa e de Walentim Normando. Mas, nenhum desses seria escolhido, pois se preferiu homenagear o senador Fábio Lucena, que viria a falecer no ano de inauguração da ponte.

    Iniciada por Gilberto Mestrinho, a Ponte Senador Fábio Lucena foi concluída pelo governador seguinte, Amazonino Mendes, que a inaugurou no dia do seu aniversário, 16 de novembro de 1987.

    Vale ressaltar, entretanto, que a fita simbólica de lançamento da obra foi cortada pelo próprio Mestrinho. O evento contou, ainda, com as presenças do ministro dos Transportes, José Reinaldo Tavares, e do senador Leopoldo Péres – suplente de Fábio Lucena –, entre outras autoridades.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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