Plano Stevenson 1922-1928

Em 14 de fevereiro de 2017 às 08:00.

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O Brasil voltou a ser considerado uma alternativa de lugar propício para a plantação da borracha em grande escala, em decorrência do surgimento de um cartel da borracha no Sudoeste Asiático. A onda especulativa originou-se da suposta avidez irrefreável do mercado americano. Em 1920, houve uma tentativa frustrada de se elaborar um plano que restringisse a produção, enquanto os preços continuavam a cair.

Insatisfeito com o fato de que quatro entre cinco plantações das possessões britânicas não pagavam dividendos, o governo britânico criou a Comissão Stevenson. Sob a inspiração das conclusões apresentadas no relatório da Comissão, em maio de 1922, a qual era presidida por Sir James Stevenson, elaborou-se o Plano Stevenson.

O relatório da Comissão, que procedeu a longas investigações e estudos, abordou o problema sob quatro principais aspectos, objetivando esclarecer o assunto e propor uma solução. Foram eles: o fomento do uso da borracha; A restrição voluntária, a atitude de laissez-faire e a intervenção do governo. Este caminho não oferecia nenhuma perspectiva, uma vez que a situação se criara precisamente dentro do clima da livre concorrência.

Os que o advogavam eram, em geral, aqueles que pensavam poder sobreviver entre os mais aptos, porém isto acarretaria prejuízos incalculáveis a milhares de pessoas, plantadores e trabalhadores, agravando-se os problemas sociais. Além disso, neste struggle for life [luta pela vida], surgia mais uma peculiaridade da economia gomífera, suficiente para comprometer, no futuro, a cirurgia violenta que seria o equilíbrio pelo livre jogo do mercado. Consistia ela em que, supondo-se falidos muitos produtores, arruinados os trabalhadores, abandonadas grandes e pequenas propriedades, os seringais permaneceriam intactos e até beneficiados pela inação, prontos a serem arrematados por quem pudesse dispor de capital para entrar na liquidação. Isto fatalmente daria origem a novas crises, uma vez que, certamente, recomeçaria sua exploração assim que se julgasse atraente o mercado. Em suma: um sacrifício inútil de pessoas e de riquezas, apenas mudando de donos as plantações e, finalmente, o regresso ao círculo vicioso.

Diante disso, a Comissão Stevenson aconselhou que não se deixassem as coisas naquele “insatisfactory state, unless ali efforts to find a positive solution of the problem fail” [estado insatisfatório, a menos que todos os esforços para encontrar uma solução positiva do problema falhassem].

Negociações foram iniciadas entre uma comissão da Malásia britânica e os holandeses. Estes, aliás, enviaram missões às plantações malaias para se certificarem de sua posição. Apesar da atitude aparentemente concordante dos neerlandeses, seu governo resolveu não tomar qualquer medida legislativa na ocasião, fundando-se nos argumentos da economia liberal e também no receio de desagradar os consumidores norte-americanos.