Piscina do ódio

Em 24 de janeiro de 2017 às 08:00.

compartilhe

Por Fabio Marton

DONO DE HOTEL TENTOU EXPULSAR NEGROS COM ÁCIDO

O homem de óculos escuros chamava-se Jimmy Brock e o que está nas mãos dele é um galão de ácido clorídrico. O que ele está fazendo é exatamente o que parece: envenenando uma piscina cheia de gente. Era 8 de junho de 1964 e Martin Luther King Jr. acabava de ser expulso de um restaurante somente para brancos no mesmo estabelecimento, o Monson Motor Lodge, um motel – nos Estados Unidos, isso é só um hotel barato com estacionamento, para abrigar pessoas no meio de uma viagem. Brock era o proprietário e gerente.

A invasão do restaurante era parte dos protestos pelos direitos civis na cidade de St. Augustine, na Flórida. A tomada da piscina foi um protesto dentro do protesto – após a expulsão do líder do restaurante, os manifestantes negros entraram numa piscina igualmente segregada, acompanhados por seus colegas brancos. Não havia real perigo de alguém ser queimado pelo ácido. A concentração de um galão numa piscina é praticamente irrelevante. Os manifestantes sabiam disso, e não arredaram o pé. Nesse gesto não apenas odioso como fútil, Brock entraria para a História como um dos vilões na luta dos direitos civis. Ele morreria em 2007, quatro anos após vender o motel, que foi demolido para a construção de um hotel da rede Hilton.

Fonte: Revista Aventuras na História. Edição 158.