A perda de peso e os inconvenientes principais da defumação

Em 3 de maio de 2016 às 07:00.

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A perda de peso, desde o momento da coagulação até o da venda é, por essa razão, considerável (cerca de 50%). Na estação das chuvas, o látex dá os 3/4 do seu peso em borracha fresca pesada imediatamente depois da coagulação. Alguns dias depois, 1/3 desse peso se perde. A perda sobre o peso do látex colhido varia naturalmente com a sua diluição.

A defumação tal como se pratica no Amazonas, apresenta vantagens muito apreciáveis. É a ela que a maior parte dos especialistas atribui a qualidade superior da borracha do Pará, sabendo-se que todos os ensaios tentados no extremo Oriente, para se pôr em prática a defumação, não chegaram a melhorar a qualidade e, em alguns casos, se reconheceu que ela era impraticável (VERNET); isso será motivado pela qualidade do leite ou talvez pela qualidade da fumaça, cuja composição, pouco mais ou menos, é conhecida.

As opiniões, entretanto, se dividem no que diz respeito ao papel desempenhado pelos diversos elementos que as compõem; estes influem na coagulação e conservação da borracha do Pará; mas quando se faz atuar separadamente cada um deles, obtêm-se resultados muito inferiores. Eis o motivo porque se diz que se ignora a razão pela qual a defumação dá a melhor borracha e a que melhor se conserva. Os inconvenientes principais da defumação, aos quais parece impossível dar remédio, são: de um lado o tempo preciso para a operação (coagulação de 2 litros de látex em uma hora, em estação favorável e com leite de fluidez normal), que exige muito trabalho e muita prática; de outro lado os perigos que traz à saúde esta operação tal qual se pratica. O seringueiro fica 3 a 4 horas por dia numa atmosfera de fumaça que, impelida pelo vento, o envolve completamente.

Essas fumaças contêm, além de antissépticos poderosos, como o creosoto, o aldehyde formeo (tão perigosos para as mucosas) etc. – muito óxido de carbono (a qualidade da fumaça exige uma combustão incompleta), gás excessivamente tóxico. Parece, pois, provado que a defumação, tal como se faz no Amazonas, não é praticável para grandes quantidades de látex, mas tão somente para a preparação da colheita de cada seringueiro.

Há muitas espécies essências produtoras de borracha, a maior parte não apresenta senão interesse nulo ou medíocre para a exploração; poucas têm um papel mais ou menos importante, a espécie preponderante é, sem dúvida, a Hevea Brasiliensis ou seringueira do Amazonas. Esta essência domina todas as outras, não só pela qualidade excepcional de produzir a “borracha fina do Pará”, que representa sempre o tipo comercial do produto mais perfeito, mas igualmente pelas suas raras aptidões culturais que os plantadores indo-malaios tão admiravelmente souberam aproveitar.