O sistema de corte

Em 14 de junho de 2016 às 07:00.

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Um bom operário executava todas as operações de sangria em 36 segundos, ou seja, 350 árvores em 3:30hs, e na coleta e transporte do látex gastava 1:5hs. Somando-se o tempo de espera, etc., a jornada do trabalho de corte propriamente dita era de 6 às 11:45hs, ou seja, 5,45hs. Para isso caminhava, em média, desde a saída de seu alojamento até à plantação, no trabalho e no regresso a casa, cerca de 9 km por dia.

Uma das partes mais importantes na exploração da borracha é o sistema de corte, não só em busca do melhor rendimento como também de processos compatíveis com as exigências fisiológicas da árvore, a fim de preservar-lhe a capacidade de produção futura.

A sangria causa uma espécie de fadiga na árvore, a qual se manifesta pela queda da densidade do látex, de modo que o vegetal precisa de repouso tanto mais prolongado quanto mais intensa for a sangria. De outra parte, os métodos de sangria precisam ser adaptados às variedades de árvores, seedlings ou enxertadas, silvestres ou de plantação, atendendo ainda às peculiaridades do ambiente.

No Oriente se fazia constantes experiências sobre métodos de sangria de seringueiras, pois que influíam eles grandemente sobre o custo de produção, onde representavam de 30 a 35%.

Apesar da escassez de estudos completos e modernos, calculava-se que as seringueiras silvestres da Amazônia, exploradas quando o regime de águas o permite, isto é, durante uns 6 meses, dariam um rendimento médio de 2,5 a 6 kg por árvore, que cresceria talvez para 4 a 10 kg, se pudessem ser exploradas de maneira mais racional e sistemática, durante mais tempo.

Como nas plantações, casos há em que árvores bem tratadas dão rendimento individual muito superior, mais de 20 kg, dependendo das condições do vegetal, das possibilidades de trabalho e da habilidade do seringueiro.

Estes resultados médios no Brasil, calculados sobre a produção de seringais em relação ao número de seringueiros trabalhando, podem considerar-se bastante satisfatórios, se considerarmos o rendimento do vegetal e as condições muito mais difíceis de extração na floresta, no confronto do trabalho do seringueiro amazônico e do seu colega do Levante, em plantações sistematizadas, onde pode cortar número de árvores duas vezes maior.

Embora, como se disse, fossem os europeus pioneiros da plantação de borracha no Oriente, as populações indígenas, comumente denominadas natives, também lhes seguiram o exemplo, intercalando a seringueira em suas plantações de café, fumo, arroz, mandioca ou frutas.