O rendimento médio das seringueiras

Em 14 de maio de 2016 às 07:00.

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O rendimento do seringueiro varia conforme a localização do seringal. Nos “médios” e “baixos rios, cerca de 400 a 500 quilos por safra, nos “altos rios” 600 a 700 quilos nos “altos rios-zonas encachoeiradas” uns 900 ou 1.000 quilos.

[…]  Há, porém, casos em que seringueiros hábeis e aplicados chegam ao dobro dessa produção. E prossegue Cassio Fonseca: “É curiosa a circunstância de que quanto mais distantes dos pontos de escoamento são os seringais amazônicos, exigindo, portanto, maiores despesas de transporte e abastecimento, bem como para a entrega da borracha, tanto melhor o látex extraído e maior o rendimento das árvores. Dir-se-ia que a natureza corrige a desvantagem” .

O método de colheita do látex das lianas da África pelos nativos é ainda mais primitivo, dando produto muito inferior.

Em Mato Grosso o sistema de preparo da borracha é diferente. As condições de extração também o são, não só devido ao regime de águas, mais favorável, como pela facilidade do transporte em caminhões tanto dos abastecimentos como da borracha.

Em plantações organizadas do Oriente, o sistema de incisão das árvores usado é análogo, porém se faz sob a vista de técnicos, em moldes científicos, para preservar as árvores. Nas grandes culturas, os coolies (trabalhadores hindus ou chineses) colhem e entregam o látex a usinas de laminação e defumação em grande escala, ou de preparação sob a forma de concentrado líquido. Nas pequenas plantações, os “nativos” geralmente laminam a borracha em pequenas máquinas manuais.

A concentração de seringueiras nos estates (propriedades de plantação no Oriente), permitem melhor divisão do trabalho e maior produtividade por extrator. Nas pequenas, porém, a borracha é, às vezes, uma exploração complementar a outras atividades como a lavoura de arroz, constituindo uma indústria doméstica.

Infelizmente não existiam estatísticas precisas e atualizadas a respeito dos seringais brasileiros – assevera Cassio Fonseca – mas, com base na produção dos últimos anos e ponderando o rendimento médio das seringueiras, calculava-se que trabalhavam no Brasil cerca de 50.000 seringueiros. Não seria exagerado supor que, prolíficas como eram aquelas populações, subsistiam diretamente pelo corte da seringa entre 250 a 300.000 pessoas.

O número de seringalistas ou patrões de seringais, que são a célula econômica produtora da borracha, pode-se estimar, com as devidas reservas, em aproximados 2.000. A maioria deles trabalhava em contato direto com o seringueiro, participando da mesma vida rude e cheia de vicissitudes.