O relatório de José Paranaguá ao Governo Imperial

Em 6 de setembro de 2016 às 08:00.

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No relatório ao Governo Imperial do exercício de 1873, José Paranaguá registrava: “Em alguns lugares começa-se a ensaiar, em muito pequena escala é certo, o cultivo da seringueira”. E opina categoricamente: “Não sou daqueles que se arreceiam pelo futuro da província do Amazonas, vendo em breve tempo estancar-se a sua fonte de produção, com a devastação dos seringais; a seiva é abundantíssima, e ainda é imensa a área de terrenos desconhecidos. Assim, não é por esse lado que considero a vantagem de transformar em indústria agrícola a indústria extrativa da borracha. Além de considerável aumento da produção, que provirá forçosamente da supressão das distancias, em que encontra-se as arvores no estado nativo, com prejuízo do trabalhador, que perde muito tempo para percorre-las, há vantagens importantíssimas de outra ordem: elas consistem em fixar e condensar em certos pontos uma população extremamente disseminada, em despertar o amor ao solo, nesses milhares de imigrantes e naturais, que por aí arrastam uma existência nômada, em fundar melhor a propriedade, em garantir o império da lei e a ação da justiça, em proporcionar enfim todas as vantagens da vida social.

Admito que a seringueira exija muitos anos para atingir o desenvolvimento necessário à produção regular. Mas, dentro em poucos anos, a situação agrícola que contiver alguns milhares de seringueiras, terá aumentado de valor em proporção suficiente para remunerar aqueles que por si ou por seus herdeiros não lograrem colher o precioso suco, cujas exigências de consumo vão aumentando sempre, de um ano para outro.

É, portanto, da maior vantagem animar por todos os meios a indústria agrícola da borracha. O assunto é importantíssimo e merece sério estudo da vossa parte”.