O princípio da finitude de uma era

Em 17 de janeiro de 2017 às 08:00.

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Em meados de 1913, o futuro da borracha do Amazonas era desolador, de principal e quase único produtor que era, não expandiu nem modernizou, ganhou crescente concorrência e murchou. Em 1911, forneceu 11,6% da produção mundial e em 1912, 9,9%. Por conta desse quadro, o orçamento financeiro novamente fechou com déficit. A probabilidade de aumento de preços era nenhuma, posto que a projeção indicava que a demanda até o fim daquele exercício seria de 112.128.000 quilos e o suprimento mundial estimado em 108.000.000. A tendência, ao contrário, era de redução de impostos sobre a exportação da borracha. Não havia mais esperança, as condições de produção do Amazonas comparadas a do Oriente tinham diferenças abissais e depositar expectativas de prosperidade sobre a improvável alta do preço, ilusória.

Os anos seguintes colecionaram fracassos retumbantes, com redução espetacular das despesas públicas, apelos chorosos à União, acordos com credores estrangeiros e suspensão de pagamento dos juros e amortização do empréstimo externo do estado. A receita permaneceu a rolar ladeira a baixo, embora no início de 1916, em virtude da elevação do preço da borracha e a desvalorização da moeda brasileira, tenha havido uma pequena melhora no comercio da borracha estadual. O preço da borracha permaneceu em queda no ano seguinte e as estimativas de produção para 1918, decepcionantes: Amazônia 37.000.000 quilos silvestres; Oriente 250.000.000 de plantação.

O amazonense supunha ter o monopólio natural, embalava-se na perspectiva da não finitude de uma era.