O pedido de emancipação da praça de Manaus e a política amazonense

Em 29 de novembro de 2016 às 08:00.

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Havia o risco, mas não se admitia e se cobrava comprovação das previsões “pessimistas” de que os seringais se destruiriam e consequentemente se extinguiriam.

O otimismo de Ernesto Adolpho de Vasconcelos Chaves não se continha e projetava que a exportação de borracha atingiria dez milhões de quilos, além disso, não enxergava qualquer possibilidade de súbita queda no valor oficial do “fruto rei” do Amazonas. Em relatório datado de 25 de março de 1886 ele informa que a borracha subiu de preço e, animado, profetizou: “… porque a verdade é, que a renda resultante em sua maior parte do imposto da borracha, tende a aumentar, e não a diminuir, como pareceu à comissão especial que, de minha ordem, estudou o assunto, e cujo relatório encontrareis entre os anexos”. E continua seu discurso otimista: “O suposto perigo da destruição crescente dos seringais e sua futura extinção, carece de fatos que o comprovem, além de contrariar de frente, não direi a razão, mas até o simples instinto do próprio bem estar”. Ernesto Adolpho inconformado com as desigualdades tarifárias sobre a borracha exportada do Amazonas para o estrangeiro e a borracha trazida pela praça do Pará, chama-a de desigualdade esmagadora, infecunda e antipática, pede o seu desaparecimento e incita: “Emancipar logo, sem detença, a praça de Manaus da do Pará, que a oprime, é o grito de guerra dos partidários, dessa medida odiosa! Há nisso um equívoco deplorável”.

Não por acaso “as duas últimas décadas do século XIX, no Amazonas, tiveram as atenções da historiografia voltadas em grande medida para o processo de expansão da economia gumífera e seus reflexos, ainda iniciais, no espaço urbano de Manaus, período que ficou conhecido como a Belle Époque manauense. Deixando, assim, a discussão sobre a representação do cenário político amazonense em segundo plano, num momento em que as estruturas do governo monárquico estavam próximas de serem derrubadas com o advento do regime republicano”.

“O Amazonas tinha representação política nos dois partidos oficiais do Império: o Partido Liberal e o Partido Conservador. Assim, o grupo político amazonense se apresentou como uma elite acima de tudo bem articulada na cidade de Manaus, na qual uma minoria privilegiada que detinha majoritariamente não apenas o poder da política em si, mas também um domínio econômico que se refletia, sobretudo, em privilégios na sociedade local”.

FONTE:

A REPÚBLICA NO AMAZONAS: DISPUTAS POLÍTICAS E RELAÇÕES DE PODER (1888-1896) – JOÃO ROZENDO TAVARES NETO.