O látex e os migrantes que vieram para Manaus

Em 27 de dezembro de 2016 às 08:00.

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 “Os problemas de infraestrutura ganharam importância no projeto de reformulação da imagem da cidade não somente por sua necessidade, mas, sobretudo, porque a sua solução se constituiria, convenientemente, num atrativo para o lugar. A instalação de serviços como iluminação pública através da eletricidade, o fornecimento de água potável, rede de esgoto, transporte coletivo através de bondes elétricos, além de uma rede telefônica eram fundamentais para a nova cidade. Eram símbolos que atribuíam ao lugar o status de centro civilizado”.

Para que se tenha uma ideia, em 1872, a população de Manaus era de 29.334. Em dezoito anos a cidade acolheu muitos brasileiros e nem tantos estrangeiros, mas  com esse processo migratório, o contingente populacional da cidade mais que dobrou, saltou para 64.647 habitantes, em 1890.

Em realidade os dados relativos ao movimento migratório são controversos e, portanto, questionáveis, conforme sintetiza Santos da Silva: “De uma maneira geral, os estudos que trabalham o quantitativo de imigrantes são falhos e os dados sobre as correntes migratórias para a região estão sujeitos a grandes controvérsias. Celso Furtado (2007) estima que entre 1872 a 1900 tenham entrado na região cerca de 260.000 imigrantes, e de 1900 a 1910 essa cifra teria atingido um total de 500.000. Samuel Benchimol (1994) critica os dados de Celso Furtado (2007) e sugere um total de 300.000 imigrantes até o ano de 1910. Em conclusão, os historiadores e economistas que tratam dos dados numéricos relativos à imigração para a Amazônia e suas cidades apresentam resultados falhos nos levando a questioná-los. Entretanto, não há dúvidas de que a massa humana em movimento para a região e suas capitais Belém e Manaus foi de grande impacto nas províncias e mais tarde estados do Grão-Pará e Amazonas”.

Quanto às causas desse grande fluxo migratório, há “uma discussão historiográfica sobre as principais causas” e Santos da Silva destaca alguns pontos: “primeiro, o incentivo a imigração estrangeira para o Brasil como uma das soluções para o déficit da mão de obra agravada com a abolição da escravidão negra em 1888; segundo, a imigração para outras regiões do Brasil, incentivadas por governos locais principalmente do nordeste brasileiro, comum a partir da grande seca de 1877. E o terceiro motivo e não menos importante: os migrantes que para cá se dirigiram em busca de fortunas e melhores oportunidades, prometidas pelos propagandistas da economia gomífera”.

Nesse intenso movimento populacional, dois grupos principais de migrantes dirigiram-se para a Amazônia. O primeiro seria a mão de obra oriunda das províncias e posteriormente dos estados da região hoje conhecida como Nordeste brasileiro; a segunda origina-se de imigrantes de diversas nacionalidades do continente europeu, principalmente lusitanos.

La Belle Vitrine: Manaus entre dois tempos (1890-1900) – Otoni Mesquita
Adoecendo na cidade da borracha: Manaus (1877-1920), Júlio Santos da Silva.