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    O eterno fim da festa

    Coluna A Cidade em Foto do Jornal A Gazeta de 12 de fevereiro de 1964.

    Alguém já disse que o folião é um estado da alma. Dessa sofrida e incompreendida alma do povo brasileiro. Que espera o ano inteiro por um momento de alegria, nem sempre completado. Foi-se o carnaval, e com ele se foram muitas alegrias e até alguns romances de amor. Estados de almas diversos, de complexidades sublimes como o próprio carnaval. Muitos ficaram na própria mesa ao soar o último acorde esfarrapado da fanfarra do zé Pereira ou da introdução desse hino de glórias da música popular, a “Cidade Maravilhosa”. Alguns capotaram nas calçadas, poucos rolando para a sarjeta. Houve quem conseguisse chegar à casa pelos próprios pés ou levado por amigos nem sempre seguros de si. Que quem está em lucidez não leva folião pra casa. E foi-se o carnaval, como sempre deixando um milhão de saudades. Começa nova vida, com a esperança de novos níveis salariais e mais altos preços; reformas de base e algumas até sem base certa. E o velho refrão de que a situação está crítica o ninguém suporta mais. Até quando? Nem os arautos das aspirações populares sabem, nem o próprio povo. O jeito é ir aguentando o barco, apanhando mais que mulher de Nelson Rodrigues, fazendo planos para o Carnaval de 1965. Que todos esperam, seguindo a tradição, ser melhor que o acabado. Agora é cinzas. Simbolismo marcante na alma de um povo pobretão e com poucos momentos de felicidade.

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