O descontentamento dos retirantes nas colônias

Em 25 de outubro de 2016 às 08:00.

compartilhe

A exposição do Exmo. Sr. Dr. Romualdo de Souza Paes d’Andrade, 1º vice-presidente da Província do Amazonas, entregue a administração do Exmo. Sr. Tenente-Coronel José Clarindo de Queiroz, em 15 de novembro de 1879, assim pontua: “Na colônia dita e na de Santa Izabel muitos dos colonos perderam inteiramente as suas plantações, outros tem plantações mas delas ainda não tiram a sua subsistência; e outros nem plantaram … hoje pela suspensão das diárias mal podem subsistir. Muitos têm sido as petições trazidas a presidência pedindo socorros, que a presidência lhes não pode dar. Alguns querem repatriar-se ou seguir para o Pará, ou para o interior da província. Tenho-lhes mandado dar passagens e acho conveniente a continuação desse expediente…”. Durante o ano de 1879, em Maracajú, só continuariam a receber diárias aqueles que estivessem estabelecidos há menos de um ano.

“Com a manifestação de descontentamentos e reivindicações por parte dos retirantes cearenses, a expectativa positiva inicial produzida para representá-los foi sendo substituída pelo discurso do pavor quanto às ações de transgressão e ameaças aos poderes público e privado. Os dirigentes amazonenses percebiam a necessidade de se afastar as aglomerações da capital. Mas como ou para onde, já que não havia recursos suficientes para pagar passagens de retorno para todos e o Amazonas estava nos limites da fronteira do Império?”

“Ao tratar do comércio provincial, o presidente da Província do Amazonas inicia o relatório de 1880 afirmando que o comércio do Amazonas consiste quase que exclusivamente na troca de produtos naturais por mercadorias estrangeiras e acresce que essas permutas são realizadas diretamente da província do Amazonas, ou através da praça do Pará. Significa dizer que a produção do Amazonas era exportada diretamente ou transportada ao porto de Belém, para ali ser exportada. Muitas vezes, a produção do interior do Amazonas seguia diretamente para a província vizinha, sem pagar impostos no estado de origem. Tal prática foi, em determinado momento, estimulada pelo governo paraense, com incentivos fiscais que produziram polêmica entre as duas províncias.