O desafio dos retirantes

Em 18 de outubro de 2016 às 08:00.

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No Amazonas, em 1877, já se havia formado outra colônia, “denominada Santa Izabel, situada às margens do rio Tarumã-miry e a duas horas da capital de vapor. Outras povoações foram estabelecidas no interior da província: Do total arrolado, 2.781 pessoas eram do sexo masculino e 1.335 do feminino, apresentando-se um acentuado desequilíbrio de gênero, dado que pode ter relação direta com a cifra “outros destinos”, rumo aos quais provavelmente abarcavam aqueles que se dirigiam à coleta da borracha, exercício praticado geralmente por homens solteiros, ou casados que se deslocavam sem família. Considerando o levantamento exposto pela administração anterior, que registrou a introdução de “827 emigrantes cearenses”, temos “um número total de emigrantes vindos para esta província de 4.963”, para o período de 1º de junho de 1877 a 20 de agosto de 1878”.

“O maior desafio dos retirantes, porém, consistia em adaptar regiões de matas e florestas fechadas às atividades agrícolas. Além da questão das áreas sujeitas à cheia dos rios, havia outras ameaças à fixação da agricultura regular, dentre as quais a presença de formigas: “Mais desenvolvida e florescente estaria a Colônia Santa Izabel, se as suas terras não estivessem minadas da formiga denominada – sauba -, que tem causado não pequenos prejuízos destruindo as plantações de modo que alguns emigrantes as têm abandonado”.

Arthur Reis assim registrou sobre as experiências de colonização no Amazonas: “Em março de 1879 … já tinham entrado em Manaus mais de seis mil retirantes cearenses. O governo, procurando recebê-los e localizá-los como contribuições preciosas ao progresso da província, criou colônias agrícolas, duas das quais nas cercanias de Manaus”.

Assim como ocorrera anteriormente nos abarracamentos do Ceará ou nas colônias maranhenses e paraenses, rebentou uma atmosfera de descontentamento nas Colônias e nos núcleos do Amazonas.