No Amazonas, a pujança dava lugar ao declínio

Em 7 de março de 2017 às 08:00.

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Em 1921, um ano antes dos ingleses adotarem, no Sudoeste Asiático, as medidas previstas no Plano Stevenson, o estado do Amazonas estava em alarmante e visível decadência. A pujança de outrora dava lugar ao declínio. A dependência exclusiva da monocultura acusava a estupidez e o descaso com o desvario dos que não velaram pelo seu futuro. A esperança residia na policultura e nos “tesouros” ocultos na floresta e nas redes hidrográficas. O pensamento não era de abandono da cultura da borracha, mas de exploração de tudo o quanto o fecundo solo amazônico pudesse oferecer. A ideia era trocar a vida nômade oferecida pela extração da borracha, pela indústria agrícola e madeireira. O comercio da madeira, segundo a mensagem do desembargador governador Cesar do Rego Monteiro, prometia um brilhante futuro para o Amazonas.

Em 1923, o mesmo governador insistia na penosa situação econômica e financeira do estado, opinando pela redução das despesas públicas e apostando que o solo não negaria recursos porque “…sua fertilidade é prodigiosa e a sua magnanimidade é infinita”. Assim – conforme o governante -, estavam o Amazonas e seus filhos, entregues aos braços da mãe natureza que retribuiria àqueles que, com fé, dela tratassem com carinho. Não aconselhava o abandono do ouro-negro, mas sugeria que os trabalhadores da borracha se interessassem por outras riquezas do solo que pudessem lhes render bons resultados. Apesar da extração da borracha ser claramente mais penosa que rendosa, abandoná-la seria um equívoco, a borracha, ainda que diminutamente, era elemento da organização orçamentária do estado.

Em 1924, a hevea era exposta com melancolia histórica na mensagem do senhor Turiano Meira, em sua breve passagem pelo governo do Amazonas. Sua verdade era a de que o capital atrairia o trabalho, sem o capital de nada resultaria o esforço, não se deveria esperar pela providencia senão por iniciativas pessoais.