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    Museu de Numismática Bernardo Ramos

    Mostruário de moedas do museu. Foto: Alex Pazuello.

    A história desse museu inicia em 1899, quando o Governo do Estado foi autorizado a adquirir uma coleção numismática que pertencia ao comerciante amazonense Bernardo Ramos.

    A coletânea era composta por, aproximadamente, dez mil peças, entre as quais, uma variedade de moedas – gregas e etruscas, bizantinas dos anos 700 a.C., espanholas com inscrições, orientais e de porcelana (do antigo Sião) –, além de medalhas da França, do Vaticano e do Japão.

    Antes, porém, da efetivação da compra, as peças foram transferidas para o Rio de Janeiro, à época, Capital Federal, onde foram expostas de 5 a 31 de maio de 1900 no Externato do Ginásio Nacional, atual Museu Nacional, por ocasião das festividades dos 400 anos do Descobrimento do Brasil.

    Ainda em 1900, criou-se a Seção de Numismática, anexa à Imprensa Oficial, que estava, àquele tempo, na rua Municipal, atual avenida Sete de Setembro, fundos para a Henrique Martins – prédio ocupado, hoje, por uma agência bancária. Contudo, a nova seção foi inaugurada somente em 26 de maio de 1901, sendo seu primeiro diretor Carlos Dias Fernandes.

    A primeira vez em que se referiu a essa repartição como Museu de Numismática foi na Mensagem de 1903 do então governador Silvério Nery. Segundo ele, o Museu enfrentava dificuldades devido às condições precárias do prédio em que estava instalado, que necessitava de sérios consertos para a sua conservação e segurança.

    No mês de outubro de 1908, Estatística, Biblioteca, Arquivo Público, Imprensa Oficial e Numismática foram reunidas em uma única repartição. Com essa reorganização, a Seção de Numismática passou a funcionar anexa à Biblioteca Pública do Estado. Em 1910, a Imprensa Oficial deixou esse agrupamento e voltou a ser uma instituição autônoma. Passados quatro anos, foi novamente anexada à Seção de Numismática.

    Durante as suas duas primeiras décadas de funcionamento, a Seção de Numismática era relatada, em documentos oficiais, como um espaço de pouca visitação devido, provavelmente, ao local em que estava instalada: um salão nos altos do prédio da Imprensa Pública. Por esse motivo, em Mensagem datada de 15 de dezembro de 1925, o interventor Alfredo Sá informou que a Seção havia sido repassada ao Departamento de Arquivo e Biblioteca.

    Ao final de 1928, o presidente Ephigênio de Salles criou a Diretoria de Estatística, Museu e Numismática, subordinada à então Secretaria-Geral do Estado. Sua inauguração ocorreu em 1º de janeiro de 1929, em um prédio situado na rua Ramos Ferreira, na esquina com a Tapajós, onde hoje funciona a Academia Amazonense de Letras. Entretanto, por falta de acomodações no edifício da nova diretoria, a coleção numismática continuou exposta na Imprensa Pública, em um salão gradeado.

    Considerada, em 1932, a quarta maior coleção numismática do mundo, seu acervo já era composto por exemplares raros de moedas maometanas, egípcias, sírias, persas e da Numídia, atual Argélia, todas do período a.C.; moedas indianas do século III; moedas americanas do século XVII; moedas de ouro do século XVIII; moedas brasileiras e espanholas do século XIX; moedas de couro, vidro, esmalte e conchas, além de barras de ouro de 22 e 23 quilates, datadas de 1816 e 1830, respectivamente, e fundidas na antiga Província de Minas Gerais.

    Por considerar o local em que estava instalada a coleção numismática inadequado à visitação pública, em 1939, o interventor Álvaro Maia autorizou a sua mudança para o Palácio Rio Branco, localizado na avenida Sete de Setembro. Quase três décadas depois, a coleção numismática ganhou status de museu. De acordo com o Regulamento aprovado em 1965,      o Museu Numismático do Estado do Amazonas – MNEA ficou subordinado ao Departamento de Cultura, Órgão da então Secretaria de Educação e Cultura – SEC.

    A Fundação Cultural do Amazonas, entidade vinculada à SEC e responsável pela execução da política cultural do Estado, inaugurou as novas instalações desse Museu em 13 de novembro de 1970, em um prédio situado na rua Henrique Martins, n. 538, Centro, de propriedade do antigo Banco do Estado do Amazonas – BEA e alugado àquela Fundação. No mês de abril de 1971, transferiu-se para outro edifício, naquela mesma rua, n. 458, onde permaneceu até ser desativado em 1980.

    Em 4 de setembro de 1990, ano em que o Museu de Numismática completou 90 anos de fundação, foi ele reaberto – já com a nomenclatura Bernardo Ramos – pela então Superintendência Cultural do Amazonas, que recebeu o apoio da Fundação Joaquim Nabuco – Fundaj e dos antigos BEA e Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas – CEDPHA.

    O acervo, já um pouco subtraído, foi instalado em um dos salões do prédio do então Comando-Geral da Polícia Militar, atual Centro Cultural Palacete Provincial, na praça Heliodoro Balbi (da Polícia).

    No ano 2000, o Museu de Numismática Bernardo Ramos passou por mais uma mudança de endereço, visto que foi instalado no Complexo Cultural Palácio Rio Negro – CCPRN, no pavimento inferior da Vila Ninita, na avenida Sete de Setembro, n. 1.546, Centro, onde funcionou até 17 de setembro de 2008.

    O seu acervo de mais de dezessete mil peças foi transferido para o Centro Cultural Palacete Provincial, na praça Heliodoro Balbi, e sua reabertura para visitação pública ocorreu no mesmo dia da inauguração daquele espaço, em 25 de março de 2009. Além do Museu de Numismática e de outros três museus, esse centro cultural abriga, também, o Museu de Arqueologia.

    Imagem e texto retirados do livro Manaus, entre o passado e o presente do escritor Durango Duarte.

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