Manaus crescia apesar das dificuldades hidrográficas, já a agricultura…

Em 8 de novembro de 2016 às 08:00.

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Um dos motivos apontados para o declínio da agricultura era a fuga de braços para regiões de extração da borracha, acirrando rivalidades entre setores das elites locais. As autoridades provinciais desejavam superar o impasse com projetos que garantissem a incorporação de mais trabalhadores à Amazônia. Foi essa a conjuntura que as primeiras levas de retirantes cearenses desembarcados em Manaus encontraram, os recém-chegados pareciam ser a solução para o constante lamento contra a falta de mão de obra”, afirma Edson Holanda Lima Barboza.

Num primeiro momento o Amazonas se apresentava como o novo ímã de riqueza no país a atrair apenas famílias pobres e analfabetas para a extração da borracha. “Depois de algum tempo o alvo passa a ser os intelectuais da classe média que, cansados da dura vida provinciana, sem dinheiro nem oportunidades, resolvem tentar a sorte em outra região. Vários jornalistas, literatos, funcionários públicos e estudantes cearenses recém-chegados na província, vindos da capital, embarcaram para o Norte, sendo o principal alvo a cidade de Manaus”, diz Lima Barboza.

Na “fala” de abertura do ano legislativo provincial, em agosto de 1878, o presidente da província, Barão de Maracajú, anunciava a retomada do projeto de fundação de colônias agrícolas com o objetivo de resolver o frequente problema de abastecimento alimentar na região: “Na estrada aberta ao norte desta cidade, lugar escolhido pela comissão de colonização para uma colônia de estrangeiros, cuja fundação não realizou-se estabeleceram-se também emigrantes cearenses nos lotes de terras já medidos e demarcados, que ainda não estavam ocupados. Formou-se então outra colônia de emigrantes cearenses, cujo número é de 647 pessoas divididas em 129 famílias … Pelos desejos que manifestaram seus habitantes passou essa colônia a ser denominada – Maracajú”.

A expectativa oficial era de que os retirantes cearenses ocupariam o vácuo deixado pela falta de imigrantes estrangeiros, conclui Lima Barboza.